Criado a partir das imagens, memórias e mistérios que atravessam a relação dos baianos com o mar, o espetáculo MAR volta ao palco do Teatro Martim Gonçalves, nesta quara-feira, 3 de junho, às 18h, em apresentação única, dentro da programação da Ocupação Artística UFBA 80 Anos.
A apresentação de MAR ocorre logo após o encerramento da temporada de “A Hora em que não sabíamos nada da gente”, montagem da Companhia de Teatro da UFBA dirigida por George Mascarenhas e com assistência de direção de Deborah Moreira, também realizada dentro das comemorações pelos 80 anos da Universidade Federal da Bahia. A proximidade entre os dois trabalhos evidencia a força da pesquisa artística desenvolvida pelos criadores no contexto da Escola de Teatro da UFBA e sua contribuição para a programação comemorativa da instituição.
Realizada pela Pró-Reitoria de Extensão, Arte e Cultura (Proext-AC), a Ocupação reúne 80 ações artísticas de teatro, música, dança, audiovisual e artes visuais, desenvolvidas por estudantes, docentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos da Universidade Federal da Bahia. A iniciativa integra as celebrações dos 80 anos da UFBA, que serão comemorados em 2 de julho de 2026, reafirmando a vocação histórica da instituição para a arte, a cultura e a produção de conhecimento.
Mistérios à beira-mar
Assinado pela Mimus Companhia de Teatro, grupo fundado pelos artistas Deborah Moreira e George Mascarenhas, MAR ocupa um lugar singular dentro da trajetória da companhia. Construído sem o uso da palavra falada, o espetáculo investe na expressividade do corpo, na criação de imagens cênicas e na potência da imaginação do público para narrar encontros, transformações e mistérios que emergem à beira-mar.
Em cena, dois personagens encontram-se diante das surpresas trazidas pelas águas. Entre marés, mudanças do tempo e objetos que chegam do mar, uma rede de relações, afetos, conflitos e descobertas vai sendo tecida diante dos espectadores. A dramaturgia não verbal abre espaço para múltiplas interpretações e atravessa temas contemporâneos que dialogam com questões humanas, sociais e ambientais.
Livremente inspirado em imagens e histórias associadas ao universo marítimo e à Baía de Todos-os-Santos, MAR convida o público a mergulhar em experiências sensoriais construídas pela corporeidade dos atores, em uma poética que privilegia a sugestão, a imaginação e a participação ativa do espectador na construção dos sentidos da cena.
O retorno de MAR ao Teatro Martim Gonçalves ganha um significado especial nesta programação comemorativa. A obra reúne artistas profundamente ligados à instituição e dialoga diretamente com uma trajetória construída entre ensino, pesquisa, extensão e criação artística.
“Participar da Ocupação Artística UFBA 80 Anos é celebrar uma universidade que sempre acreditou na arte como espaço de reflexão, experimentação e transformação. MAR nasceu desse ambiente de pesquisa e criação e retorna agora ao Teatro Martim Gonçalves como parte de uma programação que evidencia a força da produção artística construída dentro da UFBA ao longo dessas oito décadas”, afirma Deborah Moreira.
Mímica Corporal Dramática
Fundada em Salvador, a Mimus Companhia de Teatro desenvolve, desde 2007, uma pesquisa voltada para a Mímica Corporal Dramática de Étienne Decroux, em diálogo com teatralidades contemporâneas. Ao longo de sua trajetória, consolidou um repertório marcado pela dramaturgia autoral, pela centralidade da corporeidade e pela investigação de temas atuais por meio de uma linguagem poética própria.
MAR tornou-se uma das produções mais emblemáticas da companhia justamente por sintetizar esse percurso artístico. Sem recorrer à palavra, o espetáculo transforma o corpo em narrativa e o palco em território de encontros, memórias e possibilidades de interpretação. Recentemente, a obra integrou a programação do Festival Cultural China-Brasil, realizado em Xangai, ampliando seu alcance para além das fronteiras brasileiras.
Ao integrar a Ocupação Artística UFBA 80 Anos, MAR dialoga diretamente com a proposta da Universidade de reafirmar seu papel como instituição cultural, promovendo encontro, convivência, reflexão e produção artística a partir de experiências abertas à comunidade. A apresentação também evidencia a permanência e a relevância das pesquisas artísticas desenvolvidas no ambiente universitário, capazes de gerar obras que atravessam o tempo e seguem mobilizando públicos diversos.