Um dos filmes mais aguardados do ano finalmente chega aos cinema nesta quinta-feira, 16. Com quase 3 horas de duração, A Odisseia, novo longa de Cristopher Nolan reúne uma constelação de atores para adaptar uma história do século VIII a.C. escrita pelo grego Homero, que já foi adaptada mais de 30 vezes, tanto para cinema, quanto para a televisão.
Na trama, acompanhamos Odisseu (Matt Damon), o Rei de Ítaca. Ele vai lutar em Troia e, após vencer, deve voltar para casa. O problema é que ele provocou a fúria de Poseidon, o Deus dos mares, fazendo com que o seu retorno seja uma verdadeira odisséia. Enquanto todos do reino dão como morto, sua esposa Penélope (Anne Hathaway) deve ter que escolher um pretendente para se casar, dentre eles Anitnous (Robert Pattinson). Querendo evitar, o filho Telêmaco (Tom Holland) tenta ir em busca do pai.
Sempre considerei Nolan um diretor excelente, mas que sempre faz filmes “frios”, sem muitas emoções. Mas, em A Odisseia, ele literalmente cala a minha boca. Utilizando uma guerra como pano de fundo, nos deparamos com personagens que emocionam, como a família formada por Penélope, Telêmaco e Odisseu. E é mais um filme em que tudo é grandioso, não apenas seus personagem principal, como em Oppenheimer, mas suas tomadas grandes, seus enquadramentos e locações lindas.
Nolan, que também escreveu o longa, conseguiu adaptar um poema complexo em um ótimo filme de aventura e drama. Ainda que o início seja um pouco irregular, A Odisseia vai crescendo com o tempo, até o derradeiro final. E, em tempos de conflitos armados em todo o mundo, é salutar e bem-vinda a reflexão de Odisseu ao final de sua jornada.
O elenco também é um grande trunfo. Aliás, são tantos atores no filme, praticamente todo personagem é um ator famoso, se não, é pelo menos aquele tipo de “ator que vi naquele filme”. Tom Holland é quem destoa mais negativamente em relação ao restante do elenco, mesmo assim, está muito bem no papel. Há surpresas como as atuações de John Leguizamo, fiel escudeiro de Odisseu, e Samantha Morton, que aparece brevemente como Circe, mas está excelente. Jon Bernthal está como sempre, interpretando um sujeito casca grossa, com os mesmos maneirismos que podem ver em todos os outros papéis dele como em O Justiceiro.
A Odisséia é um épico que mostra que Nolan tem, sim, um coração. Ele pegou um poema de 2.700 anos, com deuses, ciclopes e sereias, e transformou numa epopeia visual que emociona, faz pensar e diverte, fazendo com que sua longa duração não seja sentida. É, sem dúvida, um dos melhores momentos de Nolan na direção.
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