Após sessões esgotadas, excelentes críticas e sendo já reconhecido como um dos espetáculos de maior sucesso da temporada teatral do Rio de Janeiro e forte repercussão nas redes sociais, chega à Salvador, “Hétero Sigilo”, espetáculo de Bernardo Dugin, com direção de João Fonseca. Um monólogo sobre os pactos que fazemos para caber. A partir de anos vivendo sob a máscara de um personagem hétero que ele mesmo criou, Bernardo Dugin constrói um relato íntimo, potente e profundamente humano.
Integrando a 26ª Edição do Catálogo Brasileiro de Teatro, a montagem chega à cidade para única apresentação, dia 08 de Agosto, no Teatro Jorge Amado, retratando entre humor, dor e libertação, como a heteronormatividade atravessa indivíduos e famílias, ensinando a mentir, a performar e a se aprisionar. Mas também aponta caminhos possíveis de coragem, pertencimento e liberdade. Os ingressos estão à venda no Sympla e no local.
Misturando humor, confissão e crítica social, o solo idealizado, escrito e protagonizado por Bernardo Dugin se consolidou como um dos fenômenos recentes do teatro carioca ao transformar experiências íntimas de repressão e pertencimento em identificação coletiva.
Dirigido por João Fonseca, o espetáculo parte da ideia de que muitas pessoas passam a vida interpretando personagens para sobreviver socialmente. Em cena, Dugin revisita memórias, silêncios e mecanismos de disfarce impostos pela heteronormatividade, discutindo o custo psicológico de viver sob constante vigilância emocional.
Com linguagem que combina humor, vulnerabilidade e relato pessoal, “Hétero Sigilo” ganhou destaque por abordar temas como masculinidade, performance social e violência simbólica sem abrir mão da comunicação popular. Desde a estreia, o espetáculo vem mobilizando plateias emocionalmente e gerando forte repercussão nas redes, onde vídeos ligados ao projeto já ultrapassaram milhões de visualizações. “O espetáculo não fala apenas sobre sexualidade. Fala sobre os pactos silenciosos que fazemos para caber. Sobre as versões de nós mesmos que inventamos para evitar rejeição, violência ou abandono”, afirma Dugin.
A peça surgiu após um episódio de homofobia vivido por Dugin e seu namorado durante uma missa de sétimo dia em Nova Friburgo, em 2023. O caso teve repercussão nacional e inspirou o artista a transformar a experiência em investigação cênica sobre medo, silêncio e pertencimento. No entanto, o espetáculo rapidamente ultrapassou o relato biográfico e passou a dialogar com diferentes públicos a partir de uma pergunta central: quanto da nossa identidade foi moldada pelo medo de não caber?
A direção é assinada por João Fonseca, responsável por sucessos como “Cazuza” e “Minha Mãe é uma Peça”. “O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta indivíduos, mas expõe uma estrutura. A peça fala do preço emocional que se paga para sobreviver dentro de uma norma”, comenta o diretor.
A trilha original e direção musical são de Federico Puppi, cuja composição atravessa o espetáculo como uma camada emocional contínua, ampliando tensões, silêncios e estados internos da narrativa.
Antes de chegar aos palcos, “Hétero Sigilo” nasceu como um projeto transmídia. Durante a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, na Avenida Paulista, foi criada a instalação “Caixa do Sigilo”, onde pessoas compartilhavam relatos anônimos sobre vidas vividas em segredo. Em paralelo, o perfil satirizou situações cotidianas relacionadas à lógica do “sigilo”, acumulando milhões de visualizações e criando uma comunidade de identificação em torno do tema.
HÉTERO SIGILO será realizado em Salvador pelo Catálogo Brasileiro de Teatro, uma iniciativa do diretor artístico Fred Soares, realizada pela DaGente Produções, com 26 edições realizadas. Com patrocínio do Shopping da Bahia e incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o projeto realiza por ano 20 espetáculos do eixo Rio e São Paulo em Salvador, além de ações de formação e difusão, sendo considerando o maior projeto de circulação teatral do país.