Com curadoria e expografia inéditas assinadas por Jinny Lim, Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro apresenta 63 obras organizadas em cinco núcleos que narram a linha do tempo de Roxinha Lisboa — dos primeiros traços em pedras e paredes à artista que saiu do ateliê e ganhou o mundo. Na CAIXA Cultural Salvador até 22 de novembro, com entrada gratuita.
O Brasil que Roxinha Lisboa pinta não é o dos grandes centros. É o Brasil das calçadas de barro, das festas de fim de semana, das mulheres que acordam cedo, trabalham o dia inteiro e ainda encontram tempo para a beleza. É um Brasil forte, bonito e cheio de poesia — e ele chegou a Salvador. Aberta desde 26 de agosto na CAIXA Cultural Salvador — Unidade Carlos Gomes, a exposição Meu Brasil Interior — Mãos que Tecem o Futuro reúne 63 obras de Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, artista popular alagoana que transformou o olhar de uma mulher do sertão em narrativa universal. Entrada franca, até 22 de novembro.
A edição baiana é a mais ambiciosa da itinerância. Enquanto as etapas de Recife (set–nov/2025) e Fortaleza (mar–jun/2026) — que juntas reuniram mais de 100 mil visitantes — apresentaram o universo visual da artista, Salvador vai além: a curadora Jinny Lim organizou as obras em uma linha do tempo que acompanha a trajetória de Roxinha desde os primeiros traços em pedras e paredes domésticas até o reconhecimento nacional.
São cinco núcleos expositivos concebidos especialmente para esta cidade — uma experiência que não existiu em nenhuma outra etapa.
O DESPERTAR
Aos quase 60 anos, o silêncio da saudade é preenchido pelas cores. O que começa em pedras e paredes domésticas torna-se o alicerce de uma produção que revela um Brasil profundo, onde o fazer manual é a primeira forma de resistência feminina.
O TECIDO DA EXISTÊNCIA
O trabalho braçal e a gestão do cotidiano fundem-se à estética, mostrando que a vida de Roxinha é um espelho da força feminina brasileira que tece, com rigor, disciplina e arte, seu próprio destino.
HOJE ACORDEI LINDA
A maturidade traz o reconhecimento. O belo deixa de ser externo e passa a habitar o orgulho de si. Nesta etapa, a artista celebra a identidade feminina recuperada, onde cada tela é um ato de dignidade e coroação através do afeto e da arte.
O SAGRADO ORDINÁRIO
O ateliê doméstico torna-se patrimônio. Pincéis e utensílios simples são elevados à poesia visual. A observação atenta transforma o dia a dia da artista no interior em uma resistência íntima e conectada com a história do mundo.
O ECO DO DIÁLOGO
A jornada não se encerra na tela, mas no outro. O público é convidado a integrar esta conversa, transformando a admiração em troca ativa e garantindo que o Brasil Interior de Roxinha continue a pulsar em cada nova mensagem enviada.
Nascida em 1956 em Lagoa de Pedra, Pão de Açúcar (AL), Roxinha Lisboa trabalhou no campo, quebrou brita em pedreira e foi coletora de resíduos por quase 20 anos. Começou a pintar aos 59 anos, de forma autodidata, ao lado do marido Domingos Lisboa — motivada pela saudade da filha Débora, que havia migrado para São Paulo. O que nasceu da saudade tornou-se obra. O que era doméstico tornou-se patrimônio.