A abertura da exposição “3 Obás de Xangô” marca o início das atividades da unidade Pelourinho da CAIXA Cultural Salvador, a partir de 2 de agosto de 2026. Inspirada no documentário homônimo dirigido por Sérgio Machado, a mostra permanece em cartaz até 6 de dezembro, com visitação gratuita de terça a domingo e feriados, das 9h às 18h.
Com curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, a exposição parte da amizade entre Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi — artistas que receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá — para propor uma reflexão sobre arte, religiosidade, memória e identidade cultural na Bahia.
Reunindo obras, documentos e registros históricos de mais de 45 artistas das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia, a mostra amplia o olhar sobre os três homenageados e evidencia a centralidade do Candomblé e das lideranças femininas negras na construção do imaginário cultural brasileiro.
Segundo a curadoria, a proposta é deslocar o foco para além dos três intelectuais e artistas. A mostra tem como ponto de partida os três Obás, mas também dá centralidade para a intelectualidade negra que permitiu a emergência do ministério de Xangô. Os idealizadores ressaltam o papel das mães de santo na preservação, organização e transmissão dos saberes afro-brasileiros.
Organizada em núcleos temáticos, a exposição aborda o matriarcado nas religiões de matriz africana, os saberes produzidos nas comunidades de axé, a simbologia de Xangô, a amizade entre os três homenageados e as transformações contemporâneas das expressões artísticas afro-brasileiras.
Entre os artistas representados estão nomes como Ana Sant’Anna, Ani Ganzala, Ayrson Heráclito, Emanuel Araújo, Goya Lopes, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Rubem Valentim, Pierre Verger e Yedamaria, nas artes visuais; Aguidavi do Jêje, BaianaSystem, Letieres Leite Quinteto, Margareth Menezes, Orquestra Afrosinfônica, Tiganá Santana e Olodum, na música; além de Alex Simões, Ana Maria Gonçalves, Hugo Canuto, Itamar Vieira Jr, Maysa Miranda e Ordep Serra, na literatura.