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Crítica – Rebel Moon Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes

Desfecho encerra com a ameaça de uma continuação para que Snyder possa seguir cometendo esses filmes

Depois da entediante e inane primeira parte de Rebel Moon, o diretor Zack Snyder chega a este Rebel Moon Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes com a promessa de algo que vai mais direto ao ponto ao trazer o clímax da história com os rebeldes montando suas defesas contra o ataque do Mundo-Mãe. Apesar de ser basicamente uma longa cena de ação de quase duas horas, essa segunda parte é tão sem graça, inane e esquecível quanto a primeira.

Na trama, depois de recrutar mercenários de diferentes partes do universo, Kora (Sofia Boutella) retorna para a lua de Veldt para ajudar os camponeses a enfrentarem o ataque das forças imperiais lideradas por Noble (Ed Skrein). É isso, não tem mais trama do que esse fiapo de ideia copiada de Os Sete Samurais (1954)do Akira Kurosawa. O problema nem é reproduzir a ideia (em si ela poderia render algo bacana), mas fazer isso de maneira tão desinteressante.


Os personagens continuam uma colagem vazia de clichês de diferentes tipos de ficção, da assassina que parece inspirada pelos Jedis de Star Wars passando pelo guerreiro que remete a Conan: O Bárbaro, Snyder entrega uma bricolagem de sujeitos que nunca se eleva da superficialidade dos arquétipos que reúne e não faz nada de interessante com eles. O que o filme trata por desenvolvimento de personagem se resume a sentar todos numa mesa para que desfiem longos diálogos expositivos sobre seus passados, todos consistindo de histórias de vingança tão genéricas que ao invés de nos fazer aderir a esses personagens só afasta nosso interesse.

O único momento de emoção genuína é o canto de Titus (Djimon Hounsou) antes da batalha, mas isso é mais por conta da performance de Hounsou do que de qualquer elemento da construção do personagem contido no texto ou na condução de Snyder. Como o filme não nos dá nada para que nos conectemos com os personagens, toda a ação da segunda metade carece de um senso de risco ou de impacto, já que as eventuais mortes dos heróis ou mesmo os momentos em que eles parecem estar encurralados nunca mobilizam nosso envolvimento porque não há qualquer substância emocional que nos faça nos importar com seus destinos.

Antes de chegar no embate propriamente dito, o filme se arrasta por quase uma hora em que praticamente nada acontece. É um tempo que poderia ser usado para desenvolver os personagens e construir as relações entre eles, mas Snyder prefere usar esse tempo com longos planos de homens musculosos ceifando trigo em câmera lenta. É uma encenação que se pretende contemplativa, querendo ressaltar o valor do trabalho simples dessas pessoas, mas a condução é tão excessiva, exagerada e cafona que resulta em algo risível e acidentalmente homoerótico (não que tenha qualquer problema em ser homoerótico, só não parece que essa foi a intenção do realizador).

Quando a ação chega, o filme não tem muito a oferecer além de longos takes em câmera lenta (se removêssemos todo o slow motion provavelmente viraria um curta-metragem) que ao invés de ressaltar as proezas dos heróis ou ampliarem o drama (como Luca Guadagnino fez muito bem em Rivais) apenas fazem tudo soar truncado, sem fluidez ou senso de coesão espacial. Isso piora com o uso constante de enquadramentos fechados e câmera na mão chacoalhante, certamente pensados para dar mais imersão embora só ampliem a sensação de uma ação picotada e sem ritmo. Como no primeiro filme é visível que a ação foi pensada para ser brutal, com sangue e desmembramentos, mas que tudo foi removido para esse corte de classificação baixa e para posteriormente Snyder e a Netflix ganharem mais ao lançar o mesmo filme duas vezes com suas “versões do diretor” que não tem qualquer motivo de existir senão ganância corporativa cínica.

Não ajuda que os inimigos sejam desprovidos de personalidade e nunca sentimos que eles são de fato uma ameaça por mais fisicamente capazes que sejam, como o aprimorado Noble. O comandante das forças imperiais já era um vilão vazio e aborrecido no primeiro filme e essa segunda parte não usa seu retorno para lhe aprofundar em qualquer medida, mantendo-o como um fascista genérico com um penteado roubado do Moe Howard d’Os Três Patetas.

O desfecho encerra com a ameaça de uma continuação para que Snyder possa seguir cometendo esses filmes. Não sei se essas continuações de fato acontecerão e, sinceramente, não me importo. Desembarco aqui do universo de Rebel Moon. A vida é curta demais e a marcha irrefreável do tempo me deixa mais perto de morrer a cada segundo passa, então não tenho mais disposição a continuar desperdiçando meu precioso e limitado tempo nesta vida com esse entediante épico espacial. O único elemento positivo de Rebel Moon Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes é ser vinte minutos mais curto que o primeiro, diminuindo o tempo de sofrimento.

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