A fotógrafa e diretora criativa Rapha Dutra, de Salvador, foi convidada pelo festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro, para ter suas imagens expostas no telão do palco do evento, que acontece entre 07 e 09 de agosto, no Jockey Club Brasileiro, na Gávea. Nascida em Salvador, na Ribeira, bairro à beira-mar onde voltou a morar depois de uma temporada em São Paulo, Rapha selecionou, à convite do Doce Maravilha, imagens que revelam elementos do cotidiano da identidade brasileira, das belezas naturais, além de fotografias de festas e tradições populares.
As imagens ilustrarão o palco onde vão se apresentar artistas como Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Maria Bethânia, Cortejo Afro com Luedji Luna e Margareth Menezes, Os Paralamas do Sucesso, e Sandra Sá. O convite nasceu após um produtor do festival comprar uma obra de Rapha e visualizou a possibilidade das imagens serem projetadas no cenário do evento. “Assim como meu trabalho, o Doce Maravilha também reafirma essa brasilidade viva e plural. O convite para estar no festival virou convite pra trabalhar e, pouco depois, surgiu a ideia de levar minhas fotos para o telão. Foi um processo que se desenhou aos poucos, com muito respeito e de maneira natural”, conta.



Na sequência, Rapha passou a trabalhar na curadoria das fotos. “Voltei para o portfólio buscando as imagens que mais me emocionam e que dialogam com esse Brasil que se reinventa todos os dias. Uma entrevista da Maria Bethânia, em que ela fala sobre cantar o Brasil, me atravessou muito nesse processo. Queria fotos que carregassem esse mesmo estado, um Brasil sensorial, vivo, pulsante, que se manifesta tanto na fé quanto na festa, tanto no cotidiano quanto no extraordinário. Um Brasil que é, antes de tudo, um sonho coletivo, indígena, negro, que se faz na autenticidade das manifestações populares e cotidianas”, defende a artista, já na expectativa para ver o resltado: “Ver meu trabalho no telão, para uma plateia enorme, ao lado de artistas que escuto todos os dias e que me formam enquanto fotógrafa, é algo que não sei nem colocar totalmente em palavras”.
Mulher travesti, nordestina, baiana, Rapha fotografa a partir da compreensão de que a imagem é também escrita de vivência, de perspectiva, do lugar de quem olha. Seu trabalho propõe uma outra forma de adentrar o território brasileiro, atenta ao que pulsa de maneira genuína e aponta para novos horizontes de futuro.