De todas as histórias que Amyr Klink construiu no mar, poucas estão tão ligadas à Bahia quanto a travessia que mudaria sua vida. Foi no cais do segundo distrito naval, em Salvador, que o navegador embarcou pela primeira vez em um veleiro rumo ao exterior.
E foi exatamente ali, no mesmo cais, que ele desembarcou meses depois, concluindo em setembro de 1984 sua histórica travessia solo do Atlântico Sul a remo, após 100 dias no mar, com a chegada na Praia da Espera, em Itacimirim, antes de finalizar em Salvador. “Tenho um carinho muito especial pela Bahia”, resume Amyr, que ainda guarda uma queda incontrolável por lambretas.

Passadas mais de quatro décadas, o navegador define aquele desembarque como “uma mudança radical” em sua vida. “O que eu fiz como uma paixão, como um projeto, acabou se transformando em tudo o que eu faria nos anos seguintes”, conta.
Sobre os três meses e meio de isolamento, ele revela o aprendizado que carrega até hoje: “Esses cem dias no mar foram uma grande escola. Aprendi que sempre é possível fazer melhor e que era possível me dedicar ao que eu faço hoje”, afirma, lembrando que experiências ainda mais longas, como a primeira circum-navegação de 22 meses, viriam depois.

Essa relação tão especial com a Bahia agora ganha um novo capítulo nas telas. Antes de chegar aos cinemas de todo o Brasil, “100 DIAS”, longa dirigido por Carlos Saldanha e protagonizado por Filipe Bragança, será exibido no Cine Glauber Rocha, entre os dias 24 e 30 de setembro, sempre às 19h30, com pré-venda de ingressos aberta na bilheteria física e digital.
É a chance de o público baiano assistir em primeira mão, mais de um mês antes da estreia nacional, marcada para 29 de outubro, a história do navegador que partiu de Salvador e voltou a Salvador para fechar um ciclo histórico.

Ao ver sua jornada chegar ao cinema, a emoção de Amyr veio de um lugar inesperado. “Me emocionei não exatamente com a versão que eu vi do filme, mas com o fato de que toda a produção, centenas de pessoas, se envolveram com a adaptação”, revela.
“Achei que o resultado ficou impressionante, exatamente porque estava todo mundo emocionalmente envolvido.” Agora, a sessão antecipada promete fechar esse ciclo emocionante exatamente onde a história começou e terminou: na cidade que Amyr Klink escolheu para desembarcar e que, décadas depois, continua no coração do navegador.