É muito bom quando vemos um filme brasileiro com uma produção bem cuidadosa e ares de grande produção, ainda mais quando sabemos que todo o filme foi feito nos estúdios Globo. É o caso de Antártida, longa que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 17, e conta com um elenco de peso, encabeçado por Andréa Beltrão, Lázaro Ramos, Antonio Calloni, Leandra Leal e Marina Ruy Barbosa.
Na trama, a pesquisadora Inês (Marina Ruy Barbosa) vai para a estação brasileira na Antártida para participar das pesquisas. Na primeira noite dela, é vítima de estupro. Marina (Leandra Leal) e a subcomandante Elisabeth (Andréa Beltrão) investigam para descobrir quem estuprou a jovem, com Vicente (Lázaro Ramos) e Comandante Barros (Antônio Calloni) entre os suspeitos.
Antártida é um filme que prende atenção, tanto pelas atuações, quanto pela direção segura de Bruno Safadi (de quem estou doido para ver futuras produções!). Mas o calcanhar de aquiles é o roteiro, escrito por Claudia Jouvin (que já tinha feito o bom Morto Não Fala (2016)). Fazer um filme claustrofóbico, em uma estação no meio da Antártida, traz momentos tensos, o que cria um ótimo clima para o filme.
Porém, os diálogos e situações não acompanham o resto do filme. Quando Inês chega, em sua primeira noite, eles fazem uma festa e ela bebe, meio que se insinuando para quase todos os homens do local, claramente para que aumente a tensão sobre quem é o estuprador (e, obviamente, NADA justificaria o estupro). Mas o mistério é sanado no meio do filme, quando, FINALMENTE, a subcomandante pensa em ver o vídeo de vigilância da estação. Mesmo sem mostrar claramente o responsável, fica óbvio. Fazendo com que a gente queira que chegue ao final apenas para saber o que levou aquilo.
Os personagens também são mal desenvolvidos, ainda mais um que está com o corpo metade com cicatrizes de queimadura, que Inês toca e aperta quando dançam, mas o motivo desta marca não é explorada. Fica no ar.
Aliás, o RH da Marinha do Brasil no filme está de parabéns, pois reuniu em uma estação: um estuprador, um suicida, uma pessoa com um tumor no cérebro, um alcoolista, um agressor de mulheres, uma agredida, uma que perdeu a filha de forma trágica… é um verdadeiro barril de pólvora.
Antártida é a prova de que produção caprichada e elenco de peso não bastam para sustentar um filme. Há ali uma ambientação sufocante, digna das grandes produções, e atuações que prendem a atenção do início ao fim, mas falta um roteiro menos simplório.
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