Desde 2010, a Solisluna Editora encanta leitores com a coleção ‘Lendas Africanas dos Orixás’, da artista visual Edsoleda Santos. Esgotada nas prateleiras das livrarias e no site da editora, as obras escritas e ilustradas por Edsoleda Santos estão de volta, com livro inédito.
O lançamento de ‘Oiá-Iansã – Epa Heyi!’ e relançamento do box com os 12 títulos acontecem neste sábado, 1º de agosto, às 16h, na livraria Terra Libris (Cine Glauber Rocha). A autora e ilustradora de 87 anos estará presente para bate-papo com Valéria Pergentino, sócia-diretora da Solisluna. O evento é aberto ao público.
Voltada para o público infanto-juvenil, a série ‘Lendas Africanas dos Orixás’ traz histórias sobre os deuses africanos Exu, Ogum, Oxóssi, Xangô, Ibejis, Oxum, Iemanjá, Oxumaré, Obaluaê, Nanã e Oxalufã, e seus mundos sagrados. A última delas foi lançada em 2023.
Nas obras, os deuses são humanizados para mostrar seus feitos heróicos, possuindo afinidades entre africanos e baianos. Além das florestas e savanas africanas, a paisagem urbana colonial de Salvador é o cenário de muitas das histórias.
Para escrever, Edsoleda Santos se inspirou nas lendas coletadas pelo etnólogo e fotógrafo francês Pierre Verger (1902-1996) entre os iorubás da Nigéria e do Benin. Autores como Síkírù Sàlámì, Roger Bastide, Cléo Martins, Lydia Cabrera e Mãe Stella de Oxóssi também foram fontes importantes para a sua pesquisa bibliográfica, assim como depoimentos de Mãe Branca de Omolú.
As narrativas tiveram forte influência também da sua herança ancestral. No baú de lembranças estão os ensinamentos da bisavó Ebami Maria Augusta Pires, filha de escravizados e portadora de muitos saberes da cultura e religião africana.
Com a bênção do mestre Juarez Paraíso
Há mais de seis décadas atuando como artista visual, Edsoleda Santos pesquisou diversas técnicas ao longo de sua trajetória – bico de pena, aquarela, pintura em acrílico – e estudou temas de religião afro-baiana, procurando mostrar sempre a relação entre arte, candomblé e natureza. Artista premiada e pesquisadora incansável, ela não encontrou dificuldade em ilustrar um tema tão profundo.
Formada nos anos de 1960 na Escola de Belas Artes da UFBA, Edsoleda já despertava a admiração do renomado artista plástico Juarez Paraíso, que foi seu professor. “Edsoleda Santos atinge a maturidade de um franco expressionismo, surpreendentemente rico de implicações surreais, onde a curva melhor reflete as influências locais, geográficas, onde o barroco é a referência suprema” escreveu, em 1967, Paraíso, sobre a aluna
O trabalho como figurinista do Grupo Odundê, da Escola de Dança da UFBA, teve um papel importante na arte de Edsoleda. Durante os ensaios, ela desenhava os dançarinos em movimento no palco. A partir daí, em sua obra, as figuras parecem estar sempre dançando.
Adoção dos livros nas escolas
A Solisluna Editora pretende ampliar a adoção da coleção ‘Lendas Africanas dos Orixás’ nas escolas, em especial por se tratar de um tema que dialoga com a cultura baiana. Dessa forma, o projeto contempla também um livro digital com todas as histórias em e-book disponibilizado no site da editora.
“Os conteúdos podem ser estudados e trabalhados com os estudantes, em leituras e oficinas, nos diversos campos de criatividade das artes visuais, dança, música, teatro e literatura, reafirmando a importância do legado cultural africano na formação de todos nós”, ressalta Edsoleda Santos.
O projeto da coleção ‘Lendas Africanas dos Orixás’ foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
A coleção completa
- Oiá-Iansã – Epa Heyi
- Oxóssi – Okê!
- Ogum – Ogum Yêêê!
- Exu – Laroyé!
- Oxumaré – Aoboboí!
- Xangô – Kawó Kabyièsi le!
- Yemanjá – Odò Ìyá!
- Obaluaê – Atotô!
- Nanã – Salúba!
- Ibejis
- Oxum – Ore Yèyè o!
- Oxalufã