Depois de construir sua trajetória literária e pessoal entre o Brasil e a Alemanha, a escritora baiana Telma Brites retorna à Bahia para apresentar seus dois novos lançamentos: “Entre Espelhos e Memórias”; e “Gaia – A Última Descendente”, edição especial em capa dura que reúne, em um único volume, os três livros da Trilogia Gaia. O lançamento acontece no dia 18 de setembro (sexta-feira), às 18h30, na Livraria Escariz, no Shopping Barra, em Salvador, com bate-papo e sessão de autógrafos.
Nascida em Cafarnaum, no interior da Bahia, e criada entre o interior baiano e Salvador, Telma vive na Alemanha desde 2001. Aos 63 anos, a escritora retorna às suas origens trazendo duas obras que representam momentos diferentes de sua produção literária: enquanto a Trilogia Gaia transita pela fantasia, aventura e mitologia grega, seu novo romance “Entre Espelhos e Memórias” mergulha em questões humanas, como identidade, memória, etarismo, pertencimento, relações e recomeços.
Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização em Antropologia Médica, Telma tem na experiência entre diferentes culturas uma das marcas de sua trajetória. Essa vivência também atravessa sua literatura, especialmente nas reflexões sobre identidade e pertencimento.
“Entre Espelhos e Memórias”, com 304 páginas, acompanha Telúria, uma mulher de meia-idade que desperta em um hospital de Berlim, na Alemanha, após sofrer um grave acidente. Sem documentos e sem qualquer lembrança de quem é, ela inicia uma jornada para reconstruir sua própria história.
Nesse percurso, um antigo espelho passa a revelar cenas misteriosas envolvendo outros personagens, fazendo com que realidade, memória, sonho e consciência se entrelacem. A narrativa conduz o leitor por uma história de descobertas e questionamentos, em que a protagonista precisa lidar não apenas com a perda de memória, mas com a necessidade de compreender quem é e quem deseja ser.
Embora o etarismo esteja presente na obra, o tema aparece de maneira integrada à trajetória da protagonista. A questão percorre o livro de forma sutil, enquanto a autora concentra sua atenção principalmente na busca pela identidade e na descoberta de si mesma, deixando espaço para que cada leitor construa suas próprias interpretações. “O maior desafio foi preservar a ambiguidade. Eu não queria impor uma resposta ao leitor. Era importante que cada pessoa pudesse interpretar os acontecimentos à sua maneira, sem que a narrativa perdesse credibilidade emocional”, explica.
Para Telma, entretanto, Telúria não representa todas as mulheres. A personagem pode, sim, despertar identificação em leitoras que atravessam mudanças, perdas, recomeços e processos de reinvenção. “O espelho revela a passagem do tempo, mas não é capaz de refletir a idade da alma. Envelhecer não significa deixar de viver. Pode ser justamente o momento em que nos aproximamos de quem realmente somos”, destaca.
A discussão sobre o envelhecimento surge especialmente a partir da maneira como a sociedade encara a passagem do tempo, sobretudo quando se trata das mulheres. “A sociedade valoriza excessivamente a juventude das mulheres. Muitas vezes, o primeiro olhar recai sobre a aparência, enquanto a experiência, a maturidade, os sonhos e a vontade de viver ficam em segundo plano”, afirma a escritora.