O diabetes é uma das principais causas de comprometimento dos rins e pode levar à perda progressiva da função renal. A chamada doença renal do diabetes pode atingir entre 20% e 40% das pessoas que convivem com a condição.
Segundo o Censo Brasileiro de Diálise de 2024, da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o diabetes responde por 29% dos casos de doença renal crônica (DRC) entre pacientes em diálise no país — mesmo percentual atribuído à hipertensão arterial.
“O excesso de glicose no sangue pode danificar os pequenos vasos sanguíneos dos rins, comprometendo gradualmente sua capacidade de filtrar o sangue. Com a evolução do quadro, pode ocorrer perda de proteínas pela urina, redução da função renal e, em estágios avançados, necessidade de diálise ou transplante”, explica a nefrologista baiana Manuela Lordelo (CRM: 35482 – BA e RQE: 21849).
Uma doença silenciosa
Um dos maiores desafios é que a doença renal do diabetes costuma evoluir silenciosamente, sem sintomas nas fases iniciais. Alterações como albuminúria, caracterizada pela presença de albumina na urina, e redução da taxa de filtração glomerular podem surgir antes de qualquer manifestação clínica.
Com o avanço da doença, podem aparecer inchaço nas pernas e tornozelos, urina espumosa, pressão arterial elevada e cansaço frequente.
“Muitas vezes, o paciente só percebe que existe algum problema quando a função dos rins já está bastante comprometida. Por isso, o acompanhamento periódico é indispensável”, alerta a especialista.
Prevenção e tratamento
A prevenção e o tratamento envolvem o controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol, além de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física regular, redução do consumo de sal e abandono do tabagismo.
Atualmente, existem medicamentos com benefícios comprovados na proteção dos rins e na redução do risco cardiovascular, que podem ser indicados conforme o perfil de cada paciente.
“O rastreamento precisa começar cedo. Pessoas com diabetes tipo 1 ou 2 devem avaliar a função renal desde o diagnóstico. Os principais exames são a creatinina no sangue, que permite estimar a taxa de filtração glomerular, e a relação albumina/creatinina na urina. A avaliação deve ser repetida, pelo menos, anualmente, ou com maior frequência quando necessário”, recomenda Manuela Lordelo.