A espera acabou para os fãs de Min Jin Lee. Hagwon americana, o aguardado novo romance da autora de Pachinko, chega às livrarias brasileiras em 6 de outubro pela Intrínseca, com tradução de Alessandra Esteche e Lígia Azevedo.
Na narrativa, a escritora retoma com maestria o tema que a consagrou — a diáspora coreana — para debater as complexidades da imigração, a frágil promessa do “sonho americano” e o propósito da educação.
A saga da família Koh
A história começa em Seul, na Coreia do Sul, no início dos anos 1990, quando a vida confortável da família Koh é devastada. Vítima de uma falsa acusação de assédio, o honesto e dedicado patriarca John vê sua carreira destruída.
A ruína profissional e financeira dá início a uma saga de reinvenção que se desdobra ao longo de décadas e atravessa continentes: da Ásia às Américas e à Oceania, Min Jin Lee narra a vida de seus personagens em paralelo às histórias e culturas dos lugares por onde passam.
As hagwons no centro da trama
No coração do romance estão as hagwons — escolas privadas de reforço escolar que funcionam como cenário principal e catalisador dos principais temas do livro. Por meio delas, a autora retrata o sistema educacional sul-coreano sob uma perspectiva dupla: as instituições surgem tanto como ferramentas de emancipação quanto como epicentro de uma grave crise de adoecimento mental entre os jovens, provocada pela hipercompetição e pela pressão ininterrupta por resultados inalcançáveis.
Educação, mérito e o sonho americano
Sem deixar de denunciar o peso esmagador e as deficiências da cultura de alta performance meritocrática, Hagwon americana resgata o valor essencial do aprendizado e defende o papel positivo que a educação pode exercer quando voltada ao pensamento crítico e à resolução de problemas reais da vida. É nessa tensão que o romance dá voz a personagens arquetípicos capazes de questionar valores estruturais das sociedades sul-coreana e estadunidense.
