A maternidade atípica, o cuidado contínuo e os desafios enfrentados por famílias de crianças atípicas são o ponto de partida de “Vidas sem horizonte: maternidade atípica, inclusão e o custo invisível do cuidado”, novo livro da escritora e fisioterapeuta Jéssica Borges. A obra será lançada na sexta-feira, 9 de outubro, às 18h30min, na Livraria LDM do Bela Vista Shopping, em Salvador.
O livro reúne 18 ensaios críticos que deslocam o olhar da experiência individual para as estruturas sociais que atravessam a maternidade atípica. Em vez de tratar o cuidado como uma questão privada ou de apresentar a maternidade como uma trajetória de superação individual, Jéssica investiga as condições que produzem sobrecarga, isolamento, silenciamento e exclusão.
Entre os temas abordados estão o julgamento social dirigido às mães atípicas, a culpa e a responsabilização individual, a erosão dos vínculos familiares e afetivos, o abandono dos parceiros, o apagamento da mulher para além da função materna, a exposição e o julgamento nas redes sociais e os limites de uma inclusão que, muitas vezes, permanece apenas no discurso.
Um dos questionamentos centrais da obra está justamente na distância entre defender a inclusão como princípio e criar as condições concretas para que ela aconteça. Para a autora, quando faltam acessibilidade, redes de apoio, continuidade do cuidado e responsabilidade compartilhada, grande parte desse custo acaba sendo transferida para as famílias, e, de maneira especialmente intensa, para as mulheres.
“Vidas sem horizonte não é um livro de autoajuda nem um relato confessional. É um livro de análise, que procura compreender o que existe por trás da experiência individual e quais estruturas sociais contribuem para produzir essa sobrecarga.”, explica Jéssica Borges.
Quando o cuidado deixa de ser invisível
Ao longo dos ensaios, a autora também questiona a tendência de reduzir a criança àquilo que seu diagnóstico descreve. A obra propõe uma reflexão sobre a pessoa para além da categoria clínica, chamando atenção para a singularidade de cada existência. O livro aborda ainda uma dimensão pouco discutida da maternidade atípica: a experiência de viver com um cuidado que não se interrompe e com um futuro que nem sempre pode ser planejado segundo expectativas tradicionais de desenvolvimento, autonomia e previsibilidade.
Nesse contexto, “Vidas sem horizonte”propõe discutir não apenas a maternidade, mas quem é responsável por sustentar o cuidado, quais são os limites da responsabilização individual e o que uma sociedade precisa transformar para que inclusão e dignidade sejam efetivamente possíveis.
Da formação profissional à escrita
Jéssica Borges é fisioterapeuta, pós-graduada em Psicomotricidade e em Intervenção ABA aplicada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pesquisadora, dedica-se aos estudos sobre neurodesenvolvimento, inclusão e exclusão, a pessoa para além do diagnóstico, o cuidado e as estruturas sociais que atravessam a vida de mulheres e crianças.
Como escritora e ensaísta, desenvolve uma produção voltada à reflexão crítica sobre maternidade atípica, diagnóstico, deficiência, inclusão e as diferentes formas de invisibilização presentes na experiência do cuidado. É coautora de “Além do Diagnóstico”, publicado pela Editora Chave Mestra, e autora de “Vidas sem horizonte: maternidade atípica, inclusão e o custo invisível do cuidado”, sua primeira obra autoral de ensaios.
Serviço
Lançamento de Vidas sem horizonte: maternidade atípica, inclusão e o custo invisível do cuidado
Autora: Jéssica Borges
Data: 9 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: LDM Bela Vista Shopping — Salvador (BA)
Editora: SGuerra Design Edição: 1ª edição, 2026