O aumento dos casos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos tem chamado a atenção da comunidade médica e reforçado a importância da prevenção. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 45 mil novos casos da doença por ano no triênio 2026–2028, colocando o câncer colorretal entre os mais frequentes do país. Nesse cenário, a colonoscopia permanece como o principal exame para identificar alterações precocemente e reduzir o risco de desenvolvimento da doença.
Além de diagnosticar tumores em fases iniciais, a colonoscopia permite detectar e retirar pólipos intestinais durante o próprio procedimento. Essas lesões, embora benignas na maioria dos casos, podem evoluir para o câncer ao longo dos anos quando não são acompanhadas ou tratadas.
De acordo com a gastroenterologista do Itaigara Memorial, Luciana Leal, um dos principais objetivos da colonoscopia é justamente impedir que a doença se desenvolva. “A colonoscopia não serve apenas para diagnosticar o câncer. Ela permite identificar lesões (pólipos) antes que elas evoluam para malignidade, possibilitando a sua retirada durante o próprio exame e reduzindo significativamente o risco de surgimento da doença”, explica.
A gastroenterologista destaca que, atualmente, pessoas sem fatores de risco costumam ser orientadas a iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, idade que passou a ser recomendada por diferentes sociedades médicas diante do aumento da incidência da doença em adultos mais jovens. Já pacientes com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme avaliação médica.
A frequência da colonoscopia também varia de acordo com o perfil de cada paciente e com os achados do exame. Em pessoas sem alterações e com risco habitual, o intervalo entre um exame e outro costuma ser de 10 anos. Já pacientes que apresentam pólipos, histórico familiar ou outras condições de risco podem precisar de acompanhamento em períodos menores, sempre conforme orientação médica.
Apesar de ainda despertar preocupação em muitos pacientes, a colonoscopia é um exame seguro, realizado com sedação para proporcionar conforto durante todo o procedimento. Um aparelho fino e flexível, equipado com uma câmera, percorre o intestino grosso permitindo uma avaliação detalhada da mucosa e, quando necessário, a realização de pequenas intervenções, como a retirada de pólipos. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos.
Outro ponto que também evoluiu nos últimos anos foi o preparo intestinal. Atualmente, existem protocolos mais modernos, com menor volume de solução para ingestão e orientações individualizadas, tornando essa etapa mais confortável do que no passado.
“O preparo continua sendo essencial para que o exame tenha qualidade, mas hoje ele é muito mais simples do que muitas pessoas imaginam. Além disso, a sedação faz com que o paciente permaneça confortável durante todo o procedimento e, na maioria das vezes, não tenha lembranças do exame”, ressalta Luciana Leal.
Embora ainda existam dúvidas e receios em torno da colonoscopia, o exame é uma importante ferramenta de prevenção quando realizado na idade e na frequência recomendadas.