A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou, nesta quarta-feira (29), a suspensão da venda de passagens da Flybondi para Salvador, Maceió e Florianópolis — três destinos que a companhia argentina pretendia atender, mas que nunca chegaram a ser efetivamente operados de forma regular. A decisão, publicada por meio de uma medida administrativa cautelar, já está em vigor e também impede a empresa de ampliar sua malha, cadastrar novos destinos ou incluir novas frequências no país.
Para a Bahia, o impacto é direto. A Flybondi começou a operar em Salvador em 17 de dezembro de 2025, conectando a capital baiana ao Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires. A operação foi sazonal, com voos às quartas, sextas e domingos, e foi encerrada em 29 de março de 2026. Havia a expectativa de retorno na alta temporada, mas a suspensão imposta pela Anac coloca esse plano em suspensão por tempo indeterminado.
Números de um colapso
Os dados que motivaram a decisão da Anac são contundentes. Entre os dias 1º e 27 de julho, a companhia cancelou 79% dos voos registrados no Brasil. A fiscalização identificou ainda uma queda contínua nas operações ao longo de 2026, divergências entre a programação cadastrada e os voos efetivamente realizados, além de um aumento expressivo de reclamações de passageiros.
O cenário, no entanto, já vinha se deteriorando há meses. De acordo com levantamento do site AeroIn, já em janeiro de 2026 a Flybondi cancelava um a cada cinco voos nos últimos 100 dias, com uma taxa de pontualidade de apenas 47,62%. No acumulado do ano, a empresa soma mais de 2.500 voos cancelados, afetando mais de 350 mil passageiros em rotas nacionais e internacionais.
Crise financeira se aprofunda
A situação financeira da companhia ajuda a explicar o colapso operacional. Em 8 de julho, O Globo noticiou que a Flybondi havia chegado ao quinto dia consecutivo de cancelamentos por dificuldades para pagar o combustível das aeronaves à fornecedora YPF. Na ocasião, a empresa operava com apenas uma aeronave de uma frota de 13.
A gravidade da crise levou a companhia a anunciar a suspensão temporária de pilotos e tripulantes de cabine entre 7 de julho e 30 de setembro, embora esses profissionais pudessem ser convocados para cobrir voos específicos durante o período.
Paralelamente, a Anac argentina também já havia lavrado autos de infração contra a Flybondi por cancelamentos sem aviso prévio, não descartando sanções adicionais que podem incluir multas e até a cassação da autorização para operar.