Durante muito tempo, a arquitetura residencial foi medida pela imponência das fachadas, pelo tamanho dos apartamentos ou pela quantidade de itens de lazer oferecidos por um empreendimento. Hoje, um novo conceito vem ganhando protagonismo: a capacidade que um projeto tem de aproximar pessoas.
Mais do que desenhar habitações, a arquitetura contemporânea passou a criar cenários para a convivência. Praças, jardins, clubes, áreas esportivas, espaços gourmet e ambientes de permanência deixaram de ser complementos para assumir um papel central na experiência de morar.
Para o arquiteto Antonio Caramelo, presidente e sócio majoritário do escritório Caramelo Arquitetos Associados, essa transformação acompanha uma mudança de comportamento da própria sociedade. “Os empreendimentos deixaram de ser apenas lugares onde as pessoas vivem. Eles passaram a ser espaços onde elas constroem relações. A arquitetura tem o poder de estimular encontros, fortalecer vínculos e criar oportunidades para que a convivência aconteça de forma espontânea.”
Essa visão acompanha a trajetória do escritório há décadas. Em diferentes escalas, que vão de bairros planejados a condomínios residenciais, os projetos desenvolvidos pela Caramelo Arquitetos buscam compreender como os espaços influenciam a maneira como as pessoas vivem, circulam e se relacionam.
Um dos exemplos mais recentes é o Fibonacci, condomínio de alto padrão desenvolvido para a LMarquezzo, em Feira de Santana. Assinado por Antonio Caramelo, em parceria com a MC8 Interiores, o empreendimento foi concebido para que a experiência de morar ultrapasse os limites da residência e aconteça também nas áreas compartilhadas.
Entre os inúmeros destaques que perpassam o Empreendimento com ousado conceito está o Fireplace, ambiente externo equipado com lareira que funciona como um convite ao encontro. Integrado ao paisagismo e às demais áreas de lazer, o espaço foi pensado para incentivar conversas, receber amigos e transformar pequenos momentos do cotidiano em experiências memoráveis. “O fogo sempre ocupou um lugar simbólico na história. Ao longo dos séculos, ele reuniu famílias, comunidades e viajantes. Quando levamos esse elemento para a arquitetura contemporânea, não estamos apenas criando um ambiente bonito, mas resgatando uma forma muito humana de convivência.”
No Fibonacci, essa lógica também se estende ao Sportbar, ao conjunto aquático, às quadras esportivas, aos espaços infantis e às áreas de permanência. Cada ambiente desempenha um papel específico na construção de uma rotina mais integrada entre moradores de diferentes gerações.
Essa forma de pensar a arquitetura também poderá ser observada em outro empreendimento emblemático da trajetória do escritório: a Estância Fernandez, em São Gonçalo dos Campos, no Recôncavo Baiano. Desenvolvido em uma área de aproximadamente 870 mil metros quadrados, onde antes funcionava a fazenda da família Fernandez, o condomínio foi concebido como uma grande paisagem de convivência. Praças, lagos, clubes de campo, de praia e hípico, academia, quadras esportivas, pet place, anfiteatro, cinema, playground e amplas áreas verdes não aparecem como elementos isolados, mas como parte de uma estratégia projetual que busca incentivar encontros, estimular o uso dos espaços comuns e fortalecer o senso de comunidade.
Segundo Antonio Caramelo, essa é uma das maiores transformações da arquitetura residencial contemporânea. “Projetar deixou de significar apenas organizar funções ou resolver questões técnicas. Hoje, também significa compreender como as pessoas vivem, como desejam ocupar os espaços e quais experiências esperam construir ali. Um bom projeto é aquele que continua fazendo sentido muitos anos depois de pronto porque consegue aproximar pessoas”.
Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Antonio Caramelo participou da concepção de empreendimentos que marcaram a transformação urbana da Bahia, digo capital e grande número de cidades importantes do Estado, sempre combinando planejamento, inovação e qualidade arquitetônica. Recentemente essa experiência passou a dialogar com uma demanda crescente do mercado: desenvolver espaços que promovam bem-estar não apenas dentro das residências, mas também entre elas. E talvez seja justamente essa sua contribuição mais relevante para as cidades do futuro: criar lugares onde as pessoas não apenas vivem, mas criam raízes e constroem pertencimento.