Steven Spielberg é apaixonado pelo tema de vida fora da Terra. Ele já dirigiu nada mais do que quatro filmes sobre o tema. Tem os espetaculares Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T. – O Extraterrestre (1982), tem o mediano Guerra dos Mundos (2005) e o pavoroso Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008). Pelo anos de seus longas, se vê que ele foi decaindo ao abordar o tema, que volta no seu quinto filme Dia D, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 11.
Na trama, acompanhamos Daniel Kellner (Josh O’Connor, cotado para ser o próximo James Bond), um tecnólogo que tem informações confidenciais sobre extraterrestres que podem causar o colapso da humanidade (ou não!). Ele conta com a ajuda de Hugo (o sempre excelente Colman Domingo) para revelar a verdade ao mundo. E vai ter ao seu lado a jornalista Margaret (Emily Blunt, em uma de suas melhores atuações), que começa a ter comportamentos estranhos ao encontrar um pássaro. Claro que o governo quer impedir isso e coloca Noah (Colin Firth), de uma ONG que guardava as informações, para evitar as revelações.
E, depois de mais de 40 anos, Spielberg volta a fazer um filme espetacular sobre extraterrestres. Em um mundo tecnológico e religioso onde vivemos, Dia D traz importantes reflexões sobre como a humanidade iria reagir ao saber que não estamos sozinhos no universo. Em determinado momento, uma das personagens questiona: Como uma pessoa que acredita em Deus vai reagir ao saber que tem algo mais supremo do que ele, que nos criou? E esse é um dos principais temas do longa.
O diretor, que também escreveu o roteiro ao lado do excelente David Koepp, consegue abordar temas atuais em meio a um excelente filme de ação, com algumas pitadas de humor na dose certa, se tornando uma espécie de encontro atualizado dos mundos de Contatos Imediatos e E.T.. É sintomático que o longa insista em mostrar as emissoras falando de conflitos, que podem começar a terceira guerra mundial, mas as pessoas não se abalam, uma vez que tudo aquilo já se tornou, infelizmente, corriqueiro. E colocar uma jornalista como protagonista foi mais um dos vários acertos de Dia D.
Outro acerto é a urgência de cada cena. Desde o início, o filme não para de escalar a tensão, seja com os protagonistas e até uma coadjuvante que se destaca, Eve Hewson, que interpreta Jane (nome de origem bíblica), uma ex-freira namorada de Daniel. É nela que temos o embate entre fé e um universo com outros seres.
Dia D e uma grande obra que reforça a visão de Steven Spielberg do mundo atual e mostra como ele continua sendo um diretor espetacular.
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