Comédias em que uma pessoa desacreditada dava a volta por cima fizeram muito sucesso nos anos 90, principalmente com Adam Sandler, Ben Styller e Will Ferrell. Agora, chega à AppleTV o filme The Dink, que traz de volta esse “gênero dentro do gênero”.
Na trama, somos apresentados ao ex-prodígio do tênis Dusty Boyd (Jake Johnson), que agora treina crianças no clube do pai, Chuck (Ed Harris), que sempre o humilha pelo que ele fez no passado. Mas um novo esporte chegou para tirar o sossego dos amantes do tênis: o pickleball – com elementos do badminton e tênis de mesa,com uma bola de plástico e, pelo menos no filme, só idosos disputam. Mas ele conhece o esporte e começa a se apaixonar, ainda mais com o apoio de Candace (Mary Steenburgen). Ele então terá que decidir entre o pai e o novo esporte.
O filme tem muitas camadas interessantes para discutir, em meio à comédia, como o confronto de gerações e o medo do novo. Mas, com o roteiro de Sean Clementes, o longa só se torna quase 1h50 sem conseguir ser engraçado, nem divertido. Não seria bom nem se fosse nos anos 90 com os atores já citados acima.
Até porque, o carisma Jake Johnson está muito longe de um Bem Styller (que é o produtor do longa e faz uma participação especial) ou até Adam Sandler. A química entre ele e a excelente atriz Mary Steenburgen não existe, o que torna difícil em acreditar em um relacionamento entre eles, mesmo ela tendo uns 25 anos a mais do que ele.
The Dink tenta reviver um subgênero que já nasceu datado (quem ainda aguenta ver homem marmanjo com atitudes infantis?) mas tropeça onde seus antecessores acertavam: no carisma do protagonista, no timing cômico (alguém ainda aguenta ver piada sobre masturbação de um homem de 40 anos?) e na química entre os personagens.
O que deveria ser uma comédia cativante sobre recomeços vira um exercício de paciência de quase duas horas, sem graça e sem alma. Se nos anos 90 filmes assim funcionavam pelo talento de seus astros em equilibrar humor e emoção, aqui sobra apenas a fórmula, vazia, arrastada e incapaz de fazer o público torcer por alguém.
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