Reunindo os principais nomes do ‘jazz’ no Brasil, a 7ª edição do Festival Salvador Jazz retorna ao Rio Vermelho, entre os dias 27 e 31 de maio. O mega encontro de fãs e artistas é marcado pela line-up assinada por Sandra Sá, Amaro Freitas, A Cor do Som, Camila Rocha, Aguidavi do Jêje, Skanibais e Grupo Garagem, com uma programação gratuita que toma conta de Salvador.
O tradicional Largo da Mariquita, conhecido por abrigar as noites boêmias da capital baiana, estima receber mais de 15 mil pessoas durante os dois dias de shows (30 e 31 de maio), antecedida por workshops de formação e capacitação musical, que integram a programação entre os dias 27, 28 e 29 de maio.
Levando música e cultura para as ruas, a capital baiana comemora mais um ano do ‘maior festival de jazz e sonoridades afro-brasileiras’. Em conformidade com a ata internacional do jazz, promovida pela UNESCO, o festival é um dos maiores palcos afrodiaspóricos da temporada – intercambiando em um só lugar os ‘ritmos afros’ que pulsam no Brasil e na Bahia.
Atrações
Dentro da programação, sete shows gratuitos aguardam o público para noites de sax e piano, junto a novas sonoridades afro-brasileiras. O jazz raiz vai vibrar com a apresentação do grupo brasileiro A Cor do Som, que já balançou o Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, e venceu o Grammy Latino 2021, pelo álbum Rosa (2020).
Com artistas premiados em destaque, o atual winner do prêmio internacional Paul Acket (2026) e primeiro brasileiro a emplacar a categoria, Amaro Freitas, chega para transformar o piano em território ancestral, levando melodias marcantes que se entrelaçam a grooves e as referências diretas à diáspora africana. E se o assunto é jazz, a contrabaixista e compositora Camila Rocha transita com naturalidade pelo gênero. no swing único que lhe rendeu o ‘Prêmio BDMG Instrumental’ e a autoria de uma das trilhas do longa documental ‘As Linhas da Minha Mão’ (2023).
Dando sequência à line-up histórica do festival, o grupo que nasceu no quintal do Terreiro do Bogum e é liderado pelo mestre Luizinho do Jêje, Aguidavi do Jêje é uma das adições que comportam o sétimo ano do festival. Trazendo os atabaques ao encontro da tradição e da inovação, o grupo formado por 16 músicos/ogãs prepara um show à parte de letras que rememoram cantigas de candomblé e trovas originais da cultura popular baiana.
Incorporando o jazz ao soul, samba e a Música Popular Brasileira, a cantora Sandra Sá é um dos destaques ao reverberar os ritmos da diáspora com o talento que lhe rendeu as faixas ‘Olhos Coloridos’, ‘Joga Fora’ e ‘Retratos e Canções’. Com uma trajetória marcada por sucessos, a artista cria a ponte entre diferentes estéticas musicais dentro da programação.
A line oficial do Festival Salvador Jazz também conta com o groove indiscutível da banda Skanibais, que traz os elementos do jazz, ska e do reggae para uma mistura de sucesso em cima dos palcos, e que rendeu aos músicos a indicação ao ‘Prêmio Caymmi de Música’ (2017). Fechando com chave de ouro as sete apresentações do festival, o grupo Garagem entrega um repertório que passeia pelo jazz e pela MPB, ao longo de mais de três décadas do conjunto instrumental baiano.
Além da musicalidade, o Festival Salvador Jazz também traz será palco de oficinas criativas com grandes nomes da música, na assinatura do bluesman Eric Assmar, o baterista Tedy Santana e a professora Marília Sodré (SAMBAIANA).
‘Festival Salvador Jazz’: seis anos de descolonização do jazz na Bahia
Reunindo milhares de apaixonados por jazz, ao longo dos últimos seis anos do evento, o ‘Festival Salvador Jazz’ entrou para a história como um dos projetos pioneiros na celebração da música instrumental, do Jazz e das sonoridades contemporâneas, descolonizando o gênero musical e ocupando o estado mais negro do Brasil.
O festival, que acontece sempre no mês de maio, logo após as celebrações do ‘JAM – Mês da Apreciação do Jazz’, é um dos maiores impulsionadores do calendário cultural no Brasil, fortalecendo a economia criativa da temporada. Com uma visão contemporânea e plural do jazz, o Festival ampliou o conceito do gênero ao explorar seus diálogos com outras linguagens musicais, como o R&B, soul, afrobeat, MPB e ritmos africanos em dois dias de puro groove nas ruas.
Democrático e inclusivo, o encontro que celebra a força criativa da música brasileira já recebeu nomes consagrados como a Orkestra Rumpilezz, Mayra Andrade, Luedji Luna, Bixiga 70, Spok Frevo, Pradarrum, Marcos Suzano e Jonathan Ferr, unindo os ritmos e as culturas através de uma curadoria artística e plural. Ao longo dos anos, o Festival buscou valorizar e promover o trabalho de musicistas femininas e artistas negros que representam o jazz no Brasil.
Para 2026, o Festival reafirma seu compromisso com a diversidade: 50% da grade está assinada pela participação feminina e 70%, prioritariamente, por artistas negros da cena. Além disso, metade das atrações é formada por artistas baianos, consolidando o palco como ‘divisor de águas’ da nova safra da música brasileira e do jazz nacional.
“No Salvador Jazz, trabalhamos com um conceito ampliado de Jazz, valorizando sua pluralidade e diálogos com outros gêneros musicais. Nosso objetivo é apresentar ao público uma programação que transita entre o jazz tradicional, a música instrumental brasileira, o afro-jazz e novas sonoridades contemporâneas, reforçando Salvador como um polo criativo e aberto à diversidade musical”, assinam os curadores Fernanda Bezerra e Fabrício Mota.