Nos últimos anos, medicamentos como Ozempic e Mounjaro se popularizaram como aliados no tratamento de obesidade e no controle de peso. Com a alta procura, cresceu também um efeito colateral pouco discutido: a flacidez da pele. Braços, abdômen, coxas e até o rosto podem perder firmeza depois de uma perda de peso rápida, gerando dúvidas em quem está passando por esse processo.
Diferente do que muitos pensam, a flacidez não é causada pelo remédio. Ela acontece porque a pele não tem tempo de se adaptar à nova forma do corpo. Quando o emagrecimento é rápido, a pele, que foi esticada por meses ou anos de excesso de peso, não consegue retrair no mesmo ritmo, resultando no aspecto de “pele sobrando”.
O movimento já aparece nos números do setor. Levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) contabilizou 38 milhões de procedimentos estéticos no mundo em 2024, com o Brasil na primeira posição em cirurgias, com quase 2,4 milhões de intervenções. Entre os procedimentos associados à perda de peso rápida, o levantamento aponta aumento nas cirurgias de glúteos e coxas (3%), braços (2%) e abdominoplastias (1%).
Fatores como idade, genética, tempo de exposição ao peso anterior e elasticidade natural da pele também interferem no resultado final. Por isso, duas pessoas podem perder a mesma quantidade de peso e ter reações completamente diferentes.
Diante desse cenário, cresce a busca por informação qualificada antes de qualquer decisão. Com isso a PinkMed, plataforma desenvolvida para conectar pacientes a profissionais de saúde com registro ativo em seus conselhos, têm registrado aumento na procura por dermatologistas e cirurgiões plásticos que expliquem esse processo com clareza, e ajudem a separar o que é mito do que é, de fato, indicação médica.
“É um efeito natural do corpo, não um problema com o tratamento. A pele reage à velocidade da mudança, e cada organismo responde de um jeito”, explica Dra. Vanessa Gaissler, médica cirurgiã plástica CRM/RS 29880 | RQE 25448 e parceira da PinkMed. “O mais importante é o paciente entender que existe um tempo certo para avaliar se será necessária alguma intervenção, e que essa decisão deve vir sempre de uma consulta com um profissional qualificado.”
Um dos pontos mais reforçados por quem acompanha esses casos é a paciência. Antes de considerar qualquer procedimento, recomenda-se aguardar a estabilização do peso, geralmente entre quatro a seis meses, já que o corpo ainda pode se ajustar sozinho nesse período. Buscar soluções antes desse prazo pode levar a decisões precipitadas.
“Muita gente pesquisa mais quando tem acesso fácil a informação confiável”, complementa Dra. Vanessa Gaissler. “Isso muda a forma como o paciente chega ao consultório: mais informado, com perguntas melhores e expectativas mais realistas.”
Quando a intervenção é realmente necessária, existem diferentes caminhos, que vão desde tratamentos não cirúrgicos, como bioestimuladores de colágeno, até cirurgias como abdominoplastia e braquioplastia, indicadas para os casos de maior excesso de pele. A escolha depende do grau de flacidez, da área do corpo e do histórico de saúde de cada paciente.
Mais do que uma questão estética, lidar com a flacidez faz parte do cuidado integral de quem emagreceu, física e emocionalmente. Entender o processo, sem alarmismo, é o primeiro passo para tomar decisões mais seguras.