A natureza brasileira aparece na moda sem precisar ser literal. Para o Verão 27, a Animale transforma a biodiversidade do país em uma coleção de silhuetas, texturas e matérias que revisitam essa paisagem por um olhar contemporâneo.
Margaret Mee, artista e ilustradora botânica que dedicou parte de sua trajetória ao registro da flora brasileira, está entre as referências da temporada. Seu trabalho, situado entre precisão e delicadeza, inspira uma leitura que não busca reproduzir a natureza, mas capturar suas formas, nuances e contrastes.

A cartela percorre verdes silvestres, beges minerais e terrosos profundos, interrompidos por notas de violeta e roxo-açaí. Linho, couro, cetim, tricô, jacquard e fibras naturais aparecem em construções diversas, enquanto o tressê e outras técnicas artesanais introduzem relevo e movimento às peças.

O utilitário ganha uma leitura mais refinada. Camisarias, trench coats, cargos e peças de linho estruturado incorporam bolsos, amarrações e mosquetões, referências do universo outdoor que entram em contraste com uma silhueta mais feminina. É justamente nessa tensão entre funcionalidade e delicadeza que a coleção encontra parte de sua força.

A fauna aparece de maneira mais sutil: besouros, libélulas e borboletas são traduzidos em bordados, acessórios e acabamentos. Nos animal prints, o croco surge em cinza e lilás, enquanto a onça-pintada é redesenhada em novas proporções e aplicações.

Mais do que uma coleção sobre natureza, o Verão 27 propõe uma maneira de observá-la. Entre matéria, construção e referências orgânicas, a Animale encontra uma linguagem em que o essencial ganha sofisticação justamente por não precisar ser excessivo.