Uma noite de celebração, reconhecimento e valorização de iniciativas que transformam vidas. Assim foi a cerimônia realizada nesta terça-feira (3), no Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador, que anunciou o Instituto Cultural Bantu como a Melhor ONG da Bahia no Prêmio Melhores ONGs 2026. Outras quatro organizações baianas também foram reconhecidas e passaram a integrar o seleto grupo das 100 melhores organizações não governamentais do Brasil.
Além do Instituto Cultural Bantu, foram reconhecidas a Santa Casa de Itabuna, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GAAC Bahia), a Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil e a Fundação Norberto Odebrecht. Com trajetórias e áreas de atuação distintas, as instituições têm em comum o compromisso com a transformação social e o desenvolvimento de iniciativas que ampliam oportunidades e promovem qualidade de vida em diferentes territórios.
Música e arte na celebração
O anúncio foi marcado por uma programação que uniu música, arte e reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo terceiro setor. A Camerata Harmonize, com participação dos solistas Bruna Dantas, no violino, e Cauan Roque, na viola caipira, integrou a celebração, reforçando a proposta do C.ONG.A – Cultura, ONGs e Ativismo, de aproximar a produção artística das iniciativas sociais.
As cinco organizações reconhecidas
Para o Instituto Cultural Bantu, a conquista representa a validação de um trabalho desenvolvido com foco na capacitação e emancipação social de jovens, mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade.
“Esse prêmio representa o reconhecimento de que estamos fazendo um bom trabalho, que vem transformando vidas. É uma gratidão e também uma motivação para continuar executando esse trabalho de emancipação social”, destacou Josielson Santiago, representante da instituição.
A Santa Casa de Itabuna também celebrou o reconhecimento de uma trajetória de 109 anos, marcada pela assistência à saúde em mais de 89 municípios do interior baiano. Para Daniel Itaparica, coordenador de projetos, integrar o grupo das 100 melhores ONGs do Brasil significa ampliar a visibilidade de uma história construída coletivamente.
“Estar aqui hoje representa uma história construída por muitas mãos. Integrar esse seleto grupo é também levar o nome da Santa Casa para além das paredes da instituição, permitindo que outros estados conheçam a nossa história”, afirmou.
O reconhecimento também foi celebrado pelo GACC Bahia, que oferece assistência a crianças e adolescentes com câncer e seus acompanhantes. A instituição atende, em média, 200 crianças por mês. Para Érika Najar, assessora de captação de recursos, a conquista reflete o compromisso cotidiano da equipe com a qualidade dos serviços prestados.
“O Prêmio Melhores ONGs é reconhecido nacionalmente como uma premiação de excelência. Recebê-lo reflete todo o esforço que fazemos diariamente dentro da instituição”, ressaltou.
Na área da saúde infantil, a Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, associação filantrópica com 103 anos de atuação, também destacou a importância da premiação. A entidade mantém diferentes unidades de atendimento, entre elas o Hospital Martagão Gesteira, referência em assistência pediátrica, com serviços de alta complexidade.
“É motivo de muita satisfação e orgulho pelo reconhecimento de um trabalho realizado ao longo de tantos anos em benefício da saúde das crianças e de suas famílias. Devolver a saúde de uma pessoa também é ajudar para que ela se torne uma cidadã”, afirmou Rosina Bahia, presidente de honra da instituição.
Já a Fundação Norberto Odebrecht celebrou mais um reconhecimento nacional. A organização, que atua há mais de 60 anos, desenvolve iniciativas voltadas ao desenvolvimento territorial sustentável, especialmente na região do Baixo Sul da Bahia, com foco na agricultura familiar, na educação e na formação de jovens da zona rural.
Segundo Camila Giuliani, coordenadora de comunicação da Fundação, a conquista reforça a consistência de um trabalho construído ao longo de décadas. “É um motivo de muito orgulho. Esse reconhecimento é fruto de um trabalho realizado com profissionalismo, transparência e comprometimento de toda a equipe, além dos parceiros que confiam na nossa atuação”, destacou.
Fortalecimento do terceiro setor
A cerimônia contou com a participação de Regina Godoy, idealizadora do C.ONG.A e à frente da R. Godoy Marketing e Cultura, e Marcelo Estraviz, fundador do Prêmio Melhores ONGs do Brasil. A parceria entre as iniciativas busca ampliar o alcance do reconhecimento às organizações sociais, aproximando o terceiro setor da cultura, da iniciativa privada e da sociedade.
Para Regina Godoy, a aproximação entre arte e iniciativas sociais é uma forma de ampliar o olhar sobre o trabalho desenvolvido pelas organizações, especialmente aquelas que utilizam a cultura como instrumento de transformação.
“A arte e a cultura dialogam com todas as formas de comunicação. É um privilégio poder aproximar o prêmio dessas organizações por meio da música, da arte e da cultura”, afirmou.
Marcelo Estraviz ressaltou que a expansão territorial da premiação é fundamental para dar visibilidade a organizações que, muitas vezes, permanecem distantes dos grandes centros de reconhecimento. Em 2026, a iniciativa chega a dez estados brasileiros, tendo a Bahia como uma das etapas dessa expansão. A expectativa, segundo ele, é que, a partir de 2027, o prêmio alcance os 27 estados do país.
“Queremos que essa iniciativa deixe de ser prioritariamente concentrada no Sudeste e chegue aos diferentes territórios brasileiros. Quando realizamos esse movimento, mais organizações passam a conhecer o prêmio, participar e perceber que também têm chances de reconhecimento”, explicou.
O fundador também chamou atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento da sociedade sobre o papel das organizações da sociedade civil. Para ele, a premiação contribui não apenas para reconhecer iniciativas, mas também para mostrar a diversidade de áreas em que o terceiro setor atua, incluindo saúde, meio ambiente, desenvolvimento territorial e desenvolvimento humano.