O jantar de 20 anos do Amado, marcado para 27 de outubro, às 20h, tem no menu um símbolo curioso da mistura que a casa persegue desde 2006. O dadinho de tapioca de Rodrigo Oliveira, criado há mais de duas décadas e hoje replicado em bares de todo o país, ganha uma versão baiana batizada de Amadinho. Leva carne de fumeiro, camarão seco e azeite de dendê, ingredientes que deslocam o petisco paulistano para o território da cozinha de Salvador.
A releitura continua os encontros da série “20 ANOS sendo AMADO”, que reúne o chef do Mocotó, de São Paulo, e Roberta Sudbrack, do carioca Sud – O Pássaro Verde, aos anfitriões Edinho Engel e Danilo Fernandes. A proposta da noite é aproximar a celebração do restaurante de uma reunião de família e amigos, e o menu foi batizado de “Banquete da Amizade”.
Um dadinho com sotaque baiano
A escolha do dadinho como primeiro garfo da noite não é casual. O petisco nasceu na cozinha do Mocotó e virou fenômeno nacional, aparecendo em cardápios de bares e restaurantes de todas as regiões. Ao acrescentar fumeiro, camarão seco e dendê, Rodrigo Oliveira não apenas adapta o prato: inscreve a iguaria paulistana na lógica de aproveitamento e de sabor da cozinha baiana, onde o azeite de dendê funciona como assinatura.
O prato chega à mesa ao lado de duas outras entradas que também carregam o repertório de quem as assina. Edinho e Danilo apresentam um pão de queijo com manteiga de lambreta, enquanto Roberta Sudbrack serve um tempurá de quiabo com aioli de urucum. Já nessa primeira sequência aparecem os ingredientes e as referências que atravessam o trabalho dos quatro cozinheiros.
O que serve o Banquete da Amizade
Petiscos para dividir
O Amadinho, de Rodrigo Oliveira. O pão de queijo com manteiga de lambreta, de Edinho Engel e Danilo Fernandes. O tempurá de quiabo com aioli de urucum, de Roberta Sudbrack.
Pratos frios
Edinho e Danilo apresentam um escabeche de codorna. Roberta prepara lagostim com pimentas. Rodrigo entra com o ceviche Porcaria, feito com pé de porco, torresmo, tucupi e batata-roxa.
Mar e terra
O Amado serve sua galinhada. O Sud traz cordeiro assado com rapadura, cuscuz e couve. O Mocotó responde com carne de panela, purê de mandioca, requeijão do Norte e kimchixe.
O encerramento traz requeijão na chapa com compota de cajuzinho do cerrado, de Edinho e Danilo, e canelone de maçã com farinha de castanhas brasileiras, de Roberta. Rodrigo assina a Bonina, drinque que combina meladinha de cachaça artesanal, baunilha baiana, laranja e umburana.
Beato assina as bebidas, sem se limitar ao vinho
A seleção de bebidas fica a cargo de Manoel Beato, sommelier do Grupo Fasano, que também assinou a harmonização dos encontros anteriores.
Desta vez, a lógica muda. “Cada participante poderá escolher o que deseja beber”, diz o sommelier, sinalizando uma carta que não se limita aos vinhos e dialoga com a cachaça, os drinques e os destilados presentes no menu.
Duas décadas de Amado à beira da baía
Aberto em 2006, à beira da Baía de Todos os Santos, o Amado construiu sua identidade com uma cozinha brasileira contemporânea atenta aos ingredientes locais e ao cuidado de receber. A programação de aniversário parte dessa história para colocar à mesma mesa profissionais que, por caminhos próprios, também ajudam a contar a trajetória recente da gastronomia brasileira.
Quem já passou pela cozinha do Amado
Iniciada em março, a série “20 anos sendo Amado” vem trazendo a Salvador cozinheiros de diferentes gerações e repertórios para celebrar as duas décadas da casa de Edinho Engel. Já passaram pela cozinha Filipe Rizzato, do Palácio Tangará; Rafa Costa e Silva, do Lasai; Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, do Grupo Origem; Emmanuel Bassoleil, do Skye, no Hotel Unique; Oscar Bosch, do Tanit; Alex Atala, do D.O.M.; Mara Salles, do Tordesilhas; e Luiz Américo Camargo, do Na Janela.
O ciclo termina em 2 de dezembro, com o tema “Novos e Velhos Baianos”. A última edição reúne Fabrício Lemos, Lisiane Arouca, Dante e Kafe Bassi, Kaywa Hilton, Leila Carreiro, Ricardo Britto, Laurent Rezette e Bahia Brito.