É possível aprender a ser homem? E, principalmente, o que fazer com tudo aquilo que os homens aprenderam? Essas são algumas das perguntas que conduzem o “Machulinidades – Entre o macho e o homem”, encontro promovido pelo Antimachista Social Club, em parceria com o Instituo Jackson Reis, que acontece no dia 25 de julho, das 9h às 12h, no auditório da Faculdade Baiana de Direito (Stiep). O evento propõe uma manhã de diálogos sobre masculinidades, reunindo pesquisadores, educadores, psicólogos, comunicadores e lideranças que atuam diretamente na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Idealizado pelo sexólogo, psicanalista e educador Januário Mourão, fundador do Antimachista Social Club, o encontro nasce da compreensão de que discutir masculinidades não é falar apenas sobre homens, mas sobre as relações que construímos, os modelos que reproduzimos e os impactos que essas referências produzem na vida de toda a sociedade. “Durante muito tempo, os homens receberam respostas prontas sobre o que significa ser homem. O “Machulinidades” nasce para fazer o contrário: criar perguntas. Não queremos ensinar um novo manual, mas abrir espaço para que homens possam refletir, dialogar e compreender que existem muitas formas possíveis de viver a masculinidade”, afirma Januário Mourão.
A programação está organizada em dois grandes momentos. O primeiro, “Quem nos ensinou a ser homem?”, discute como família, escola, religião, política, raça e cultura participaram da construção dos modelos masculinos que conhecemos hoje. Na sequência, o painel “O que fazer com o homem que nos tornamos?” propõe um olhar para o presente e o futuro, abordando saúde emocional, afetividade, sexualidade, responsabilidade e os caminhos possíveis para transformar as relações entre homens e sociedade.
Para ampliar esse debate, o evento reúne convidados com trajetórias diversas e complementares. Além de Januário Mourão, participam: Jackson Reis, gerontólogo e mestre em Psicogerontologia, que desenvolve pesquisas sobre longevidade e intergeracionalidade; Silvio Humberto, professor, vereador de Salvador, doutor em Economia e presidente do Instituto Cultural Steve Biko; Richard Santos, docente e pesquisador da Universidade Federal do Sul da Bahia, referência nos estudos sobre raça, cultura e políticas públicas; Alan Miranda, ator, diretor e dramaturgo trazendo a perspectiva da arte e da cultura na construção das masculinidades; Carlos Linhares, o psicólogo, professor e consultor organizacional, com ampla atuação em desenvolvimento humano; e Sulivã Bispo, o ator, educador, comunicador e humorista, que contribui para ampliar o olhar sobre gênero, representatividade e os atravessamentos sociais presentes nas relações contemporâneas. Outros nomes ainda serão divulgados até a semana do evento.
A participação é gratuita e acontece mediante a doação de 2kg de alimento não perecível, que serão destinados a instituições que acolhem mulheres em situação de violência doméstica. A iniciativa reforça o compromisso do Antimachista Social Club de transformar reflexão em ação concreta, fortalecendo redes de proteção e cuidado.