O cinema baiano ganha projeção internacional com o filme Cleó aos 70, que integra a seleção do 33rd New York African Film Festival, realizado entre os dias 1º e 30 de maio de 2026 e ocupa espaços como o Lincoln Center, The Africa Center e Maysles Documentary Center. Em meio a uma programação que reúne cerca de 100 obras de diferentes partes do mundo, o curta se destaca não apenas pela qualidade artística, mas pela potência simbólica de sua narrativa, tornando-se o único filme baiano a ocupar esse espaço de prestígio.
Dirigido com sensibilidade e rigor estético por Márcio Ferreira e Rafa Beck, Cleó aos 70 carrega a assinatura de realizadores comprometidos com a memória, a ancestralidade e as histórias que resistem ao tempo. Os diretores constroem uma obra que não apenas documenta, mas, reverencia, transformando a trajetória de Mãe Cleonice de Obaluayê em uma experiência cinematográfica profunda, marcada por identidade, espiritualidade e pertencimento.
A seleção do filme ganha ainda mais relevância diante do cenário competitivo: mais de 500 produções foram inscritas para o festival, e apenas dois filmes brasileiros foram escolhidos. Entre eles, Cleó aos 70 se destaca como o único representante da Bahia, levando consigo uma pauta urgente e necessária, que dialoga com as raízes afro-brasileiras e com a preservação de saberes tradicionais.
Outro ponto de destaque é o papel fundamental do Instituto EDUCA+, responsável pelo gerenciamento do projeto. A instituição, reconhecida por seu compromisso com iniciativas culturais e educacionais, acompanha de perto essa conquista e estará presente em Nova York durante a exibição oficial do filme, marcada para o dia 16 de maio. A presença do instituto reforça a dimensão coletiva dessa realização, que ultrapassa o campo artístico e se inscreve como ação política e cultural.
O festival, que, nesta edição, comemora 36 anos e apresenta, inicialmente, 39 filmes em sua seleção principal (14 longas e 25 curtas), consolida-se como um dos mais importantes espaços de difusão do cinema africano e da diáspora. Idealizado pelos integrantes da Associação Tolissá Ejigbô e co-produzido pelas produtoras baianas Agamavi Filmes e Olho de Vidro Produções, Cleó aos 70 não apenas participa, mas, representa, ocupa e afirma.
Mais do que uma seleção internacional, essa conquista simboliza o reconhecimento de um cinema que nasce no território, que escuta suas raízes e que transforma histórias locais em narrativas universais. Com Cleó aos 70, a Bahia ecoa em Nova York e o mundo, mais uma vez, se abre para ouvir.