Aos 93 anos, a atriz Rosamaria Murtinho prova que a arte não tem idade. Ela sobe ao palco do Teatro Jorge Amado, em Salvador, ao lado da neta Sofia Mendonça para viver Iris Apfel — ícone mundial de estilo, irreverência e liberdade criativa, falecida em março de 2024 aos 101 anos. A peça “Uma Vida em Cores”, com texto e direção de Cacau Hygino, cumpre temporada sábado, 19 de setembro, às 19h, e domingo, 20, às 17h. Os ingressos custam a partir de R$ 60 e estão à venda no Sympla e na bilheteria do Teatro Jorge Amado.
O espetáculo acompanha o encontro entre uma mulher experiente, irreverente e cheia de histórias — livremente inspirada em Iris — e Emily, uma jovem jornalista, estagiária da Vogue americana, que recebe a missão de entrevistá-la. O que começa como uma conversa formal se transforma em um jogo de provocações, humor e cumplicidade. Entre memórias, reflexões e confidências, emergem temas como etarismo, moda como identidade, amor e luto, escolhas e legado, e o valor do tempo vivido.
A montagem celebra a potência da maturidade, a reinvenção constante e a recusa em aceitar os limites impostos pela idade. De um encontro improvável a uma amizade real.
Uma história que começou em 2017
A trajetória do espetáculo começou há mais de nove anos, quando Cacau Hygino descobriu Iris Apfel pelas redes sociais. Intrigado pela imagem daquela senhora de óculos redondos, colares exuberantes e postura contemporânea, decidiu descobrir quem era. Ao perceber, em uma foto, um tapete na entrada de um prédio com a inscrição “PA 480”, deduziu tratar-se do endereço da empresária em Nova York.
Confirmada a suspeita por um amigo que morava na cidade, iniciou uma insistente tentativa de contato — cartas, telefonemas e envio de material sobre o projeto. Meses depois, Iris retornou a ligação. O encontro aconteceu em Nova York e dali nasceu uma amizade que resultou no monólogo “Através da Iris”, protagonizado por Nathalia Timberg, com circulação nacional e teatros lotados até a interrupção causada pela pandemia.
Com a impossibilidade de continuidade da montagem original, o texto permaneceu guardado até que Hygino decidiu retomá-lo sob uma nova perspectiva.
Do monólogo ao diálogo entre gerações
A atual versão abandona o formato de monólogo e transforma a narrativa em um diálogo entre Iris e Emily. A matéria que a jovem jornalista precisa escrever pode definir seu futuro profissional. No palco, o encontro entre Rosamaria e Sofia ultrapassa o texto: a relação real entre avó e neta adiciona uma camada de autenticidade à narrativa e reforça o eixo central da obra — a troca entre gerações.
A dramaturgia mistura ficção e memória afetiva, incorporando episódios reais da trajetória de Iris, inclusive sua relação de 68 anos com o marido, Carl Apfel.
A peça se apresenta pelo Catálogo Brasileiro de Teatro uma iniciativa do diretor artístico Fred Soares, realizada pela DaGente Produções com 26 edições realizadas. Com patrocínio do Shopping da Bahia e incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o projeto realiza por ano 20 espetáculos do eixo Rio e São Paulo em Salvador, além de ações de formação e difusão, sendo considerando o maior projeto de circulação teatral do país.