Rafael Aquino, diretor de produto de Mobile Experience da Samsung Brasil, conversou com o Bahia Social Vip sobre o futuro da inteligência artificial nos dispositivos Galaxy. Em pauta, a transição da IA generativa para a IA agêntica — um salto em que o smartphone deixa de apenas responder comandos para antecipar necessidades e agir de forma proativa, como mostram os novos recursos Now Brief e Now Nudge da linha Galaxy S26 Series.
Rafael também revelou como o Brasil pesa na estratégia global da Samsung: o país é peça-chave na meta de saltar de 400 milhões para 800 milhões de dispositivos com Galaxy AI em 2026, com a Inteligência Absurda levando recursos de IA para a linha Galaxy A e democratizando o acesso à tecnologia. Confira a entrevista na íntegra.
A Samsung apresentou a Galaxy S26 Series como “o próximo passo rumo à IA agêntica”. Para o consumidor brasileiro que ainda associa IA a chatbots e geradores de imagem, como você traduz esse conceito de “agente” que age sozinho?
A forma mais simples de explicar é que estamos saindo de uma IA que responde para uma IA que colabora de forma proativa. Até agora, a maior parte das experiências de inteligência artificial dependia de um comando específico do usuário. Você fazia uma pergunta, pedia um texto ou uma imagem, e a IA respondia.
Com a IA agêntica, o dispositivo passa a compreender melhor o contexto, a intenção e a rotina do usuário para ajudar a executar tarefas de forma mais inteligente. Isso não significa que a IA age sem autorização, mas que ela consegue conectar informações, antecipar necessidades e sugerir ações relevantes no momento certo. O objetivo é reduzir etapas e tornar a tecnologia mais útil e natural no dia a dia.
Na Galaxy S26 Series, isso se traduz em experiências como o Now Brief e o Now Nudge, que oferecem informações e sugestões personalizadas no momento em que elas fazem mais sentido, ou na capacidade dos agentes de IA de realizar tarefas que envolvem diferentes aplicativos com um único comando. Em vez de apenas responder perguntas, o smartphone passa a entender o contexto, organizar informações e ajudar o usuário a chegar ao resultado de forma mais rápida e intuitiva, sempre mantendo o controle e a privacidade nas mãos da pessoa.
A Samsung planeja saltar de 400 milhões para 800 milhões de dispositivos com Galaxy AI em 2026. Como o Brasil se posiciona nessa meta e qual o peso do mercado brasileiro nessa estratégia global?
O Brasil é um mercado bastante estratégico para a Samsung globalmente, tanto pelo tamanho quanto pelo nível de adoção de novas tecnologias. O consumidor brasileiro tem uma relação muito intensa com o smartphone e costuma incorporar rapidamente recursos que geram benefícios concretos no dia a dia.
Quando falamos em expandir o alcance do Galaxy AI, o Brasil tem um papel importante justamente porque combina escala, relevância regional e um perfil de usuário altamente conectado. Por isso, estamos trabalhando para ampliar a disponibilidade de recursos de IA em diferentes categorias de dispositivos, democratizando o acesso a essas experiências para um número cada vez maior de consumidores.
Exemplo disso é a Inteligência Absurda, que reúne uma seleção de recursos do Galaxy AI adaptados para a linha Galaxy A, levando experiências de inteligência artificial intuitivas e úteis para um público ainda maior. Com funcionalidades como Circule para Pesquisar com Google, Apagador de Objetos, Melhor Rosto, Seleção AI, Transcrição de Voz e agentes de AI como Bixby e Gemini, os usuários podem pesquisar, criar, editar e organizar tarefas com mais praticidade. É uma forma de tornar a inteligência artificial cada vez mais presente no dia a dia, ampliando o acesso à inovação e reforçando o compromisso da Samsung de levar tecnologia relevante para diferentes perfis de consumidores.
A transição de IA generativa para IA proativa parece ser o grande salto da S26. Qual foi o principal desafio técnico ou de design de experiência para fazer essa virada?
O maior desafio foi tornar a inteligência artificial mais útil sem torná-la mais complexa. Não basta que a IA seja capaz de compreender contexto, ela precisa fazer isso de uma forma que pareça natural para o usuário.
Isso envolve avanços em IA multimodal, integração entre aplicativos e dispositivos, processamento híbrido entre aparelho e nuvem e, principalmente, uma preocupação constante com privacidade e controle. O desafio de design foi encontrar maneiras de entregar ajuda relevante sem interromper a experiência ou criar uma sensação de excesso de automação, afinal a melhor IA é aquela que simplifica a rotina sem exigir que o usuário aprenda uma nova forma de usar o smartphone.
O Now Brief e o Now Nudge são exemplos concretos de proatividade. Como vocês definem o limite entre uma sugestão útil e uma notificação invasiva? Onde está a linha vermelha?
O ponto de equilíbrio está sempre no controle do usuário. Recursos como o Now Brief e o Now Nudge foram desenvolvidos para entregar informações relevantes com base no contexto, mas sem criar interrupções desnecessárias.
O objetivo não é gerar mais notificações, e sim reduzir o esforço necessário para encontrar informações importantes. Ao mesmo tempo, o usuário pode personalizar essas experiências, definir preferências e controlar quais tipos de informações deseja receber. Acreditamos que uma sugestão só é realmente útil quando ela respeita o contexto, a privacidade e as escolhas de cada pessoa.
O AI Call Handling permite que a IA atenda chamadas, resuma quem ligou e por que, e apresente apenas o que requer atenção. Isso soa como ter uma secretária eletrônica inteligente. Como o consumidor brasileiro tem reagido a esse nível de “delegação”?
O consumidor brasileiro valoriza cada vez mais tecnologias que ajudam a otimizar o tempo e simplificar a rotina. Em um cenário de excesso de chamadas, mensagens, notificações e informações, cresce a demanda por experiências que reduzam distrações e permitam que as pessoas foquem no que realmente importa.
Nesse contexto, o Assistente de Chamadas, como o recurso é chamado no Brasil, ajuda a organizar esse fluxo de forma inteligente. Ao identificar ligações de números desconhecidos, ele utiliza inteligência artificial para apresentar um resumo da intenção de quem está ligando, oferecendo mais contexto para que o usuário decida rapidamente se deseja atender, retornar ou ignorar a chamada.
Essa é a proposta do Galaxy AI: colocar a inteligência artificial para trabalhar em benefício das pessoas, reduzindo etapas e tornando a interação com o smartphone mais intuitiva. A tecnologia atua de forma discreta, auxiliando o usuário sem tirar dele o controle da experiência, sempre com foco em conveniência, privacidade e produtividade.
A Samsung está oferecendo múltiplos agentes à escolha do usuário: Bixby, Gemini e Perplexity. Isso não gera confusão? Como vocês estão desenhando essa curadoria para que o usuário saiba qual assistente usar em cada momento?
Na verdade, nossa visão é que esses agentes sejam complementares, e não concorrentes. Cada um possui características e especialidades diferentes, que atendem a necessidades distintas do usuário.
A Bixby, por exemplo, é a assistente virtual com inteligência artificial da Samsung e tem uma integração profunda com os dispositivos Galaxy e com o ecossistema Samsung. Ela é especialmente eficiente para controlar configurações do aparelho, executar ações dentro do sistema, gerenciar dispositivos conectados via SmartThings e personalizar a experiência do usuário.
O Gemini se destaca como um assistente conversacional multimodal, capaz de compreender texto, voz, imagens e contexto de tela. Ele é particularmente útil para tarefas de produtividade, pesquisa, criação de conteúdo, planejamento e obtenção de informações mais complexas, atuando como um verdadeiro parceiro para o dia a dia.
Já o Perplexity traz uma abordagem focada em descoberta de informação e pesquisa, onde sua capacidade de buscar, organizar e apresentar informações com fontes verificáveis é especialmente valiosa para usuários que desejam aprofundar conhecimentos, comparar opções ou tomar decisões com base em informações atualizadas.
O papel da Samsung é justamente integrar essas diferentes capacidades em uma experiência única e intuitiva. No longo prazo, acreditamos que o usuário precisará pensar cada vez menos em qual agente está utilizando. A tecnologia deverá identificar qual ferramenta é mais adequada para cada contexto e entregar a melhor experiência possível de forma fluida e natural. O foco não está nos agentes em si, mas em resolver a necessidade do usuário da maneira mais eficiente possível.
Para a IA proativa funcionar bem, o dispositivo precisa ler notificações, entender contextos de conversas e acessar dados pessoais. Como a Samsung comunica isso sem gerar desconforto no usuário sobre vigilância?
Essa é uma das conversas mais importantes quando falamos sobre o futuro da inteligência artificial, porque para nós, não existe IA proativa sem segurança. Quanto mais personalizada e contextual uma experiência se torna, maior precisa ser o compromisso com transparência, privacidade e controle por parte do usuário.
E é pensando nisso que adotamos uma abordagem na qual o princípio base é que o usuário deve entender claramente quais dados estão sendo utilizados, para qual finalidade e quais benefícios aquela informação pode gerar para a sua experiência. Ele também deve ter controle sobre essas permissões, podendo decidir quais recursos deseja utilizar e quais informações quer compartilhar.
Do ponto de vista tecnológico, também estamos investindo para que cada vez mais processamento aconteça diretamente no dispositivo. Com a chegada de recursos como o Personal Data Engine, por exemplo, é possível criar experiências altamente personalizadas com base nos hábitos, preferências e contexto do usuário, mantendo essas informações protegidas no próprio aparelho sempre que possível. Isso é complementado por camadas de segurança como o Samsung Knox, que protege dados sensíveis em nível de hardware e software.
Outro ponto importante é que a IA proativa não deve significar vigilância constante, existe uma diferença importante entre coletar dados indiscriminadamente e utilizar informações de forma inteligente, segura e transparente para gerar valor para o consumidor. O objetivo não é monitorar o usuário, mas compreender contextos específicos para oferecer ajuda quando ela realmente faz sentido.
Acreditamos que a adoção da IA nos próximos anos dependerá tanto da qualidade das experiências quanto da confiança que as pessoas terão nessas tecnologias. Por isso, privacidade e segurança são elementos fundamentais para que essa nova geração de experiências possa existir.
A Samsung tem adotado uma estratégia de “AI-Everywhere”, levando Galaxy AI para tablets, fones e até TVs. Como o smartphone continua sendo o centro dessa experiência no ecossistema Samsung?
O smartphone continua ocupando uma posição central porque é o dispositivo mais pessoal e aquele que acompanha o usuário ao longo de praticamente todo o dia, e é a partir dele que grande parte das informações, preferências e contextos são gerados. Ao mesmo tempo, a evolução da IA permite que esse contexto seja compartilhado de forma segura entre diferentes dispositivos do ecossistema. A visão da Samsung não é que cada produto funcione de forma isolada, mas que smartphone, tablet, smartwatch, fones de ouvido, TV e outros dispositivos trabalhem juntos para oferecer uma experiência contínua.
Nesse cenário, o smartphone atua como um hub inteligente capaz de conectar informações, coordenar experiências e servir como ponto central da vida digital do usuário. É justamente essa integração que torna possível entregar uma IA mais contextual, mais personalizada e mais útil em diferentes momentos do dia.
Essa visão também se estende à casa conectada por meio do SmartThings. Pelo smartphone, o usuário pode conectar e gerenciar TVs, geladeiras, lavadoras, aparelhos de ar-condicionado e diversos outros dispositivos inteligentes, criando automações e controlando toda a casa em um único lugar. Mais do que um controle remoto, o smartphone passa a ser a interface que reúne informações do ecossistema e permite que os dispositivos trabalhem de forma integrada para oferecer mais praticidade, conforto, eficiência energética e personalização na rotina.