A primeira rua do Brasil vai ganhar um espaço para reunir leitores de todas as idades, autores e autoras de todos os gêneros literários e editoras independentes de todo o país. No dia 14 de maio, quinta-feira, será inaugurada a livraria Terra Libris, localizada no Cine Glauber Rocha, em frente à Praça Castro Alves. E qual endereço poderia ser mais emblemático para uma livraria do que esse, onde fica o cinema de rua que leva o nome do mais importante cineasta baiano e está fincada a estátua do maior poeta do romantismo brasileiro?
A Terra Libris (em latim, Terra dos Livros) nasce da observação de Valéria Pergentino e Kin Guerra, sócios-editores da Solisluna Editora, sobre a ausência de livrarias de curadoria na capital baiana. “Nas nossas viagens e visitas a livrarias em diferentes cidades do mundo, ficou evidente como Salvador ainda precisa de mais espaços onde a literatura esteja no centro, no Centro da cidade, no centro do debate. Também sentimos isso de maneira muito concreta no trabalho editorial: temos muitas editoras parceiras pelo Brasil e, frequentemente, somos perguntados sobre onde realizar lançamentos e encontros literários por aqui. A escassez de espaços sempre nos incomodou. Quando surgiu a oportunidade de ocuparmos a livraria no Cine Glauber Rocha, um lugar simbólico e afetivamente muito importante para a cidade, ficamos imediatamente motivados”, conta Valéria Pergentino, que criou a Solisluna há 33 anos, junto ao parceiro, o artista visual Enéas Guerra.
E se o conceito da Terra Libris pudesse ser descrito em uma palavra, essa palavra seria bibliodiversidade. “Um dos grandes diferenciais da Terra Libris é justamente o cuidado com a bibliodiversidade, especialmente com a presença de editoras independentes, que muitas vezes encontram pouco espaço nas grandes redes. A Terra Libris quer ser também um ponto de encontro para essas editoras, autores e leitores interessados em literatura viva, contemporânea e plural”, ressalta Kin Guerra.
Estar no espaço do Cine Glauber Rocha faz com que o diálogo entre literatura e cinema aconteça de forma muito natural. “São duas linguagens profundamente conectadas pelas narrativas, pela imaginação e pela capacidade de formar repertório e sensibilidades. Também pretendemos realizar clubes de leitura dedicados às relações entre cinema e literatura, debates, encontros e atividades que aproximem essas linguagens e seus públicos”, garante Kin.