Os filmes do diretor e roteirista Josh Safdie tem uma coisa em comum: um protagonista imperfeito, que chegamos até a questionar várias de suas atitudes. Foi assim com Connie Nikas (Robert Pattinson), em Bom Comportamento (2017), e Howard Ratner (Adam Sandler), em Joias Brutas (2019). Agora, também é assim em Marty Supreme, que chega aos cinemas no dia 22 e é sua primeira produção afastado do irmão Benny Safdie (que também dirigiu sozinho o fraco Coração de Lutador (2025)).
Década de 50. O jovem Marty Mauser (Timothée Chalamet) é um mesa-tenista em ascensão que precisa trabalhar em uma sapataria para conseguir dinheiro e participar dos campeonatos de tênis de mesa. Quando ele descobre que terá um campeonato no Japão, ele fará de tudo para conseguir viajar e tentar enfrentar o campeão japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi).
Vagamente inspirado na vida do mesa-tenista Marty Reisman, cuja autobiografia Josh leu, a trama mostra como o indivíduo é capaz de tudo para atingir seus objetivos. Marty é um sujeito que joga tênis de mesa como se fosse a última coisa que faria na vida. Se dedica e até tem grande habilidade. Mas, com uma mãe que tenta chamar a atenção do filho fingindo estar doente e ainda sem dinheiro, usa o esporte para tentar escapar da dura realidade.
Todas as artimanhas feitas pelo protagonista conseguem nossa atenção graças à edição, direção e, sobretudo, atuação de Chalamet. O ator consegue transpor nas telas todas as loucuras de seu personagem, com uma atuação que é a melhor da já ótima carreira dele – e um adversário poderosos para Wagner Moura.
O roteiro, escrito pelo diretor ao lado do sempre presente Ronald Bronstein, também é eficaz ao fazer com que um filme de 2h30, que fale sobre o bom e velho ping pong, passe rápido, pois sempre nos deixa interessado nas artimanhas de Marty – e o arco do cachorro não deixa de ser divertido.
A trilha sonora do filme também é um acerto, já que causa estranhamento por ser claramente inspirada nos anos 80, embora o filme se passe 30 anos antes. Não só em músicas famosas como Forever Young, que brilha em uma das aberturas de filmes mais criativas dos últimos anos, mas também nas músicas incidentais.
Na disputa final entre os irmãos, Josh levou a melhor sobre Benny, já que seu Marty Supreme é muito superior a Coração de Lutador.
Curiosidades do filme
- O personagem Béla Kletzki, de Géza Röhrig , é baseado no jogador polonês de tênis de mesa Alojzy “Alex” Ehrlich. Após passar quatro anos em Auschwitz, ele foi enviado para Dachau, onde foi salvo da câmara de gás porque os nazistas o reconheceram como campeão mundial. A incrivel história do favo de mel é real, como detalhado na autobiografia de Marty Reisman.
- Timothée Chalamet treinou tênis de mesa desde 2018 para se preparar para seu papel no filme Marty Supreme. Ele treinava enquanto filmava Wonka (2023) , Duna: Parte 2 (2024) e Um Completo Desconhecido (2024), viajando com uma mesa.
Be the first to leave a review.




















