O Novembro Azul, tradicionalmente dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, também chama a atenção para um tema que merece cuidado: a saúde hormonal masculina. Sintomas como cansaço persistente, diminuição da libido, alterações de humor, dificuldade de concentração e aumento na dificuldade de construir massa muscular podem estar relacionados à redução dos níveis de testosterona. No entanto, nem sempre esses sinais indicam deficiência hormonal, e a busca por tratamentos sem avaliação médica pode trazer consequências importantes para a saúde.
De acordo com o médico Rodrigo Chinelli (CRM 17783 / RQE 8608), que atua nas áreas de Nutrologia e Saúde Mental, a testosterona desempenha funções importantes no organismo masculino, influenciando a saúde sexual, a composição corporal, a manutenção da massa muscular e o bem-estar. Entretanto, fatores como obesidade, sedentarismo, privação de sono, estresse crônico, uso de determinados medicamentos e disfunções metabólicas que frequentemente passam despercebidas também podem interferir na produção hormonal.
“É importante compreender que nem todo homem que apresenta cansaço, desânimo ou diminuição do desejo sexual precisa de reposição de testosterona. Esses sintomas podem estar associados a diferentes condições clínicas e emocionais. Por isso, a investigação deve considerar o histórico do paciente, seus hábitos de vida e exames laboratoriais adequados”, explica o especialista.
Quando a reposição é realmente indicada
A redução gradual da testosterona pode ocorrer com o envelhecimento, mas isso não significa que todos os homens precisarão de tratamento hormonal. O diagnóstico de deficiência de testosterona, também conhecida como hipogonadismo, exige a associação de manifestações clínicas compatíveis com níveis hormonais consistentemente baixos, geralmente confirmados por exames realizados em momentos diferentes.
O uso estético e os efeitos adversos
Outro ponto de atenção é o crescimento da procura por testosterona com objetivos estéticos, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho físico. O uso indiscriminado do hormônio pode provocar efeitos adversos como acne, aumento do hematócrito, redução da produção de espermatozoides, infertilidade, queda definitiva de cabelos e a temida supressão da produção natural de testosterona, além de exigir atenção especial em pacientes com determinadas condições cardiovasculares e prostáticas.
“A testosterona não deve ser utilizada como uma fórmula de rejuvenescimento ou como solução imediata para melhorar a disposição e o desempenho físico. Quando administrada sem indicação adequada, pode comprometer mecanismos naturais do organismo e gerar efeitos justamente opostos aos que os pacientes buscavam”, alerta Chinelli.
Redução de danos e recuperação natural
Uma das frentes de atuação do profissional é promover redução de danos aos usuários de hormônios, seja por meio do tratamento das descompensações causadas pelo uso sem orientação, seja por intervenções para a recuperação da capacidade do organismo de retomar sua produção natural. É importante o paciente entender que a promoção da saúde cardiovascular, o aumento da disposição física e o equilíbrio hormonal andam juntos — e, para isso, é necessário estratégia e acompanhamento profissional.
O médico reforça que a saúde hormonal está diretamente relacionada ao estilo de vida. Alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, sono de qualidade, controle do peso e acompanhamento de doenças crônicas são medidas importantes para preservar o equilíbrio metabólico e hormonal.
“A saúde masculina precisa ser observada de maneira integral. Antes de pensar em reposição hormonal, é fundamental investigar as causas dos sintomas e identificar fatores que podem ser corrigidos. O objetivo não é apenas melhorar números nos exames, mas promover saúde, funcionalidade e qualidade de vida a longo prazo”, ressalta.
Neste Novembro Azul, a orientação é ampliar o olhar sobre os cuidados masculinos, incentivando consultas preventivas e a busca por orientação profissional diante de mudanças físicas, sexuais ou emocionais persistentes. A reposição de testosterona pode ser indicada em situações específicas, mas deve ocorrer exclusivamente após diagnóstico criterioso, avaliação dos riscos e benefícios e acompanhamento médico contínuo.