Pico Garcez é um dos destaques da exposição “À Beira do Mundo”, que abre na Galeria BASE, em São Paulo, no dia 27 de agosto, e permanece em cartaz até 26 de setembro. Ao lado de Evandro Angerami e Ted Benvenuti, o artista participa de um encontro de olhares sobre a paisagem, a matéria e os limites da percepção.
Garcez transforma o espaço em experiência sensível: o vazio torna-se presença e o silêncio torna-se narrativa. Em suas imagens, a fotografia deixa de ser um simples registro para se tornar um portal entre o real e o imaginário, um convite para habitar o instante. A paisagem, em seu trabalho, não é apenas o que se vê diante da lente, é um mundo construído pelo enquadramento, silencioso, contemplativo e denso de significado.

Os cenários escolhidos pelo artista reforçam essa atmosfera. As imagens foram realizadas na Bahia, em Epecuén, no deserto do Atacama e no mar Adriático, territórios de geografia marcante, onde natureza e memória se confundem.

Da luz quente do litoral baiano às ruínas submersas de Epecuén, da imensidão seca do deserto chileno às margens do Adriático, cada lugar carrega uma carga simbólica própria, convertida por Garcez em poesia visual.

A fotografia que acompanha esta matéria é um bom exemplo desse gesto: nela, o espaço parece suspenso, aberto à interpretação, convidando o olhar a demorar-se. É essa a experiência que Pico Garcez oferece ao público paulistano até o fim de setembro, um convite para enxergar o mundo não como ele é, mas como o artista o imagina.