Cirugião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica que as técnicas atuais permitem abordagens mais individualizadas e que antes da decisão, é preciso entender essas possibilidades para alinhar expectativas, segurança e objetivos.
“A blefaroplastia começa pela identificação da queixa. Estruturas diferentes podem produzir um aspecto parecido, por isso nem sempre a solução está apenas na retirada de pele. Quando avaliamos a anatomia de forma completa, conseguimos escolher a técnica mais adequada e explicar ao paciente, com clareza, quais mudanças podem ser esperadas com o procedimento”, afirma David Di Sessa.
Confira abaixo os mitos e verdades sobre o procedimento:
Blefaroplastia serve apenas para retirar excesso de pele. Mito
A blefaroplastia não é um procedimento simples, ela não se limita à retirada de excesso de pele. O planejamento pode incluir gordura orbital, musculatura, posição das pálpebras e a relação entre a região dos olhos e a bochecha. A combinação dessas estruturas ajuda o cirurgião a entender o que realmente provoca o aspecto de cansaço ou peso no olhar. A técnica, portanto, varia conforme as características e necessidades de cada paciente.
Não existe idade certa para fazer blefaroplastia. Verdade
A indicação da blefaroplastia exige uma avaliação detalhada, não há uma faixa etária específica para indicação. Algumas pessoas apresentam bolsas hereditárias, flacidez ou excesso de pele mais cedo, enquanto outras chegam a idades mais avançadas sem indicação cirúrgica. A decisão considera anatomia, sintomas, incômodos apresentados e condições clínicas avaliadas durante a consulta. A idade entra nessa análise, mas não funciona como um critério isolado para recomendar o procedimento.
Toda gordura das bolsas precisa ser retirada. Mito
Nem sempre retirar toda a gordura das bolsas produz o resultado mais adequado. Em determinados casos, parte desse tecido pode ser preservado ou reposicionado para suavizar depressões abaixo dos olhos e melhorar a transição com a bochecha. Essa escolha depende da distribuição do volume, da profundidade do sulco e da anatomia local. Uma remoção excessiva pode acentuar áreas encovadas e comprometer a naturalidade do contorno.
Olhos secos precisam ser avaliados antes da cirurgia. Verdade
Todos os sintomas relacionados a saúde ocular são importantes, e precisam ser relatados antes da cirurgia. Ardência, sensação de areia, lacrimejamento frequente ou uso recorrente de lágrimas artificiais podem indicar alterações da superfície ocular que merecem atenção no planejamento. No pós-operatório, ressecamento e desconforto podem aparecer temporariamente em alguns pacientes. A avaliação prévia permite orientar cuidados específicos e acompanhar de perto quem já apresenta maior sensibilidade na região.
A blefaroplastia inferior sempre deixa cicatriz externa. Mito
A blefaroplastia inferior nem sempre exige uma incisão externa na pele. Em alguns pacientes, o acesso pode ser realizado pela parte interna da pálpebra, técnica conhecida como via transconjuntival. Essa abordagem costuma ser considerada quando existem bolsas de gordura sem excesso cutâneo importante. Quando há flacidez, alterações musculares ou necessidade de tratar outras estruturas, o cirurgião pode indicar um acesso diferente para alcançar o resultado planejado com segurança.
Recursos regenerativos podem complementar o rejuvenescimento dos olhos. Verdade
Com a indicação correta, os recursos e técnicas regenerativas podem atuar como complemento no rejuvenescimento da região dos olhos. PRP, PRF, nanofat e derivados da gordura autóloga são estudados por seus efeitos sobre textura, qualidade da pele, estímulo reparador e reposição discreta de volume, conforme a técnica utilizada. Os benefícios e o nível de evidência não são iguais entre esses métodos. A escolha deve ser feita após avaliação individual e indicação do médico responsável pelo procedimento.
“O melhor resultado não depende de retirar o máximo possível, mas de tratar cada estrutura na medida necessária. Preservar tecidos, respeitar a anatomia e entender as características individuais ajudam a manter equilíbrio na região dos olhos. Uma boa indicação também inclui orientar sobre recuperação, limites do procedimento e cuidados antes e depois da cirurgia”, conclui o cirurgião plástico.