A Bahia está no topo do ranking nacional da meliponicultura, produção de mel de abelhas sem ferrão. O mel uruçu-nordestina, produzido pelo meliponário Meldoyá, em Jaguaripe, no Recôncavo Baiano, foi eleito o melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil em 2026. O título veio no Concurso de Méis Código das Abelhas, realizado no dia 15 de agosto em Ribeirão Preto, no interior paulista, com a amostra colhida em março deste ano. “É um reconhecimento que não diz respeito somente a nós, mas a toda a cadeia produtiva do mel de abelhas sem ferrão da Bahia. É um prêmio que valoriza todos os produtores que trabalham com a gente”, celebra Caio Vieira, que toca o projeto ao lado da irmã Luisa.
O caminho até o pódio passou por uma avaliação rigorosa. No concurso, organizado pelo Instituto Brasileiro de Sommeliers de Mel (IBSMEL) com apoio da Associação dos Criadores de Abelhas Nativas Paulista (ACANP), 18 amostras de três estados foram submetidas ao crivo de seis jurados. Seguindo o mesmo método usado em degustações de vinho, azeite e café, as provas acontecem com colheres e potes pretos para que a cor não interfira na análise. Aroma, sabor e impressão global recebem notas numa escala de nove pontos por avaliador, num total máximo de 270.

O mel baiano alcançou 230 pontos e ficou à frente do segundo colocado. “Esse mel passa por seis meses de maturação, que faz ter as notas sensorias que diferenciam um mel: o aroma, o sabor, que é diferente do mel tradicional, de abelha com ferrão. É um mel bem cítrico, notas de frutas amarelas e acidez elevada. Tem também um aroma muito complexo”, destacou Caio.
O mel de Jaguaripe, aliás, já circula pela gastronomia baiana, em restaurantes como o Origem, o Silva Cozinha, o Andina Cozinha Latina e o Restaurante Manga, além de restaurantes do Rio de Janeiro e São Paulo. Também é possível encontrar o mel com parceiros como Casa Castanho, Da Talli Padaria Artesanal, Do Coado ao Expresso e Garimpo da Barista. O Vona e o Lafayette já fizeram receitas de verão com outro produto do sítio: o polém das abelhas sem ferrão, que são chamadas de samurá. “É um trabalho de abelhinha, vamos polinizando pessoa a pessoa mostrando a importância das abelhas sem ferrão para todo o ecossistema”, brinca Caio.
Biomas brasileiros
Por trás do reconhecimento está uma história que começa em 2018, quando Caio voltou ao Brasil depois de 13 meses fora e decidiu se reconectar com as raízes da família nos sítios de Jaguaripe. As primeiras colmeias chegaram no ano seguinte; durante a pandemia, o hobby virou estudo e, depois, negócio. A empresa nasceu em 2021, teve a primeira safra em 2022 e começou a comercializar os produtos em 2023.
Em novembro de 2024, a Meldoyá, negócio tocado pelos irmãos e biomédicos Caio e Luisa Vieira, já havia vencido o Concurso Nacional de Méis de Abelhas Sem Ferrão da AME-RIO, o mais antigo do país. São dois títulos nacionais em dois anos para a mesma casa produtora.
Hoje, o meliponário mantém quatro espécies nativas da Mata Atlântica, uruçu nordestina, jataí, moça-branca e mirim droryana, e também compra méis de sete famílias produtoras espalhadas por biomas como Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Mel Amazônia. Trata-se de uma produção rara e valorizada: enquanto uma colônia convencional rende dezenas de quilos de mel por ano, as abelhas sem ferrão dificilmente chegam a 10kg de mel por ano, o que torna cada título ainda mais expressivo.