No longínquo 1988, um filme despertou a atenção pelo senso caótico e uma ótima história: Uma Cilada para Roger Rabbit. A grande novidade para a época era o uso de desenhos animados com atores reais (coisa que Hollywood tinha feito há anos, mas abandonado). De lá para cá, algumas outras obras usaram tal recurso, como Space Jam, Encantada… mas nenhum chegou perto de ser tão divertido como Coyote Vs ACME, que chega aos cinemas na quinta-feira, 27.
Na trama, acompanhamos Wile E. Coyote, que já usou todos os gadgets criados pela ACME para capturar o Papa-Léguas. E todos eles apresentam falhas. Quando vê um anúncio na televisão do advogado Kevin Avery (Will Forte), um especialista em fazer acordos judiciais com a ACME, o Coyote vai até a cidade para processar a empresa. Só não contava que o advogado da ACME, Buddy Crane (o ótimo John Cena) faria de tudo para impedir o sucesso jurídico.
Dirigido por Dave Green, Coyote Vs ACME é um dos filmes mais caóticos e divertidos dos últimos anos, graças aos atores reais e à gama de personagens lunáticos da Warner Bros. como Patolino, Gaguinho, Pernalonga, Diabo da Taz Mania, dentre outros, que aparecem de forma breves, mas marcantes. O protagonista é o Coyote, que é um personagem maravilhoso. Os atores Forte e Cena se entregam aos papéis e também divertem, cada um à sua maneira.
E pensar que a Warner jogou o filme prontno lixo depois de pronto para ter dedução de impostos, e a Ketchup Entertainment comprou os direitos para exibir nos cinemas. Grande acerto. Seria um desperdício não vermos Coyote Vs. ACME, que teve o roteiro escrito por Samy Burch, Jeremy Slater e James Gunn, sim o diretor que comanda a DCU. O roteiro, que critica as megacorporações, acerta em cheio ao dar espaço para diversos personagens e criar situações absurdas envolvendo desenhos animados e pessoas, e lugares, reais.
O filme nos faz imergir tanto naquele mundo, que até dá para relevar algumas falhas da animação, principalmente, quanto à profundidade dos personagens dos desenhos. Tudo soa irrelevante ante os personagens carismáticos e a história divertida.
É exatamente essa leveza que faz de Coyote Vs ACME uma experiência rara nos dias de hoje. Num cenário em que os estúdios apostam em franquias seguras, efeitos cada vez mais realistas e histórias que se levam a sério demais, ver um filme que abraça o absurdo com tanta sinceridade é um respiro. Ele não tenta ser sofisticado nem se desculpa por ser bobo, e é justamente aí que mora a sua genialidade.
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