Há 16 anos, o Festival de Jazz do Capão transforma o Vale do Capão, na Chapada Diamantina, em território de encontros, escutas e novas experiências musicais. Em sua 13ª edição, o Festival de Jazz do Capão (FJC) retorna ao Circo do Capão, em Palmeiras, a 440 quilômetros de Salvador, com programação gratuita nos dias 18 e 19 de setembro. No primeiro dia os shows ocorrem a partir das 19h e no segundo dia a partir das 18h.
Serão shows com artistas que representam diferentes vertentes da cena musical brasileira, além da Mostra Capão, dedicada à produção artística local, e da Mostra UFBA, que apresenta um projeto selecionado pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (EMUS). A programação também inclui dois workshops, o primeiro dia 18 de setembro, às 14h, chamado “UPB e claves afrobrasileiras – iniciação ao método de Letieres leite”, com os percussionistas Tiago Nunes e Alana Gabriela. E o segundo, no dia 19 de setembro, às 14h, entitulado “Mulheres compositoras” com as integrantes do Quarteto Emmbra, ambos gratuitos no Coreto da Vila.
Nesta edição o FJC aposta em encontros inéditos como experiência artística. Diferentes trajetórias, linguagens e territórios se cruzam em apresentações que trazem ao público novas sonoridades, trabalhos autorais e encontros musicais pensados especialmente para o Festival.
A proposta dialoga com a própria essência do evento, que desde sua criação busca fazer reverberar expressões artísticas capazes de provocar, sensibilizar e inspirar. Música, cultura, natureza e reflexão sobre o mundo contemporâneo se encontram em uma programação atenta às questões socioculturais, ambientais e geopolíticas que atravessam o nosso tempo.
Sobre os encontros de artistas no FJC, o diretor artístico Rowney Scott ressalta que, “enquanto curador sinto que esse movimento vem sendo experimentado já há alguns anos, como no encontro de quatro músicos locais na Mostra Capão em 2021; o pianista americano Michael Cain em colaboração com músicos soteropolitanos em 2024; Luiza Britto e o Trio Cravo e Canela em 2025. Essa ‘fórmula’ de promover encontros inéditos como forma de fomentar uma produção musical fresca, encontrou em 2026 um ano fértil e propício. Quando me dei conta, já tinha feito alguns convites que deram certo e que, no final das contas, estão dando o tom artístico para a programação deste ano. Tiago e Alana, Nilton e Lucas, Daniel convida, e o próprio quarteto Emmbra, encontro recente entre mulheres instrumentistas e compositoras”.
Para Scott os encontros musicais do FJC são uma provocação para estimular que as pessoas recuperem o senso de coletividade, diversidade e empatia, “sinto que os encontros estão sendo muito importantes num momento da humanidade onde a individualidade e a solidão levam muitas vezes a uma atitude de auto centramento, egoísmo, falta de empatia e dificuldade de lidar com o diferente, o diverso. Vemos isso nas relações cotidianas e amorosas, vemos isso nas manifestações políticas extremadas. Que o FJC 2026 seja um adubo rico para criações e musicalidades, conciliações e generosidades. Viva os encontros! Viva o Festival de Jazz do Capão!”.
O Festival de Jazz do Capão tem o Patrocínio da Axxo Construtora, RV Digital e Nutricash, Apoio da Prefeitura de Palmeiras, Apoio Financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda. O projeto é uma realização CulturaTAO e Ministério da Cultura, Brasil.
“Realizar a manutenção de um festival artístico, como o FJC, ao longo dos anos, é um grande desafio. Somos uma equipe que acredita na cultura, que resiste e persiste, e que entende a produção como um processo feito de cuidado, dedicação e muitos detalhes. É esse compromisso que nos move a cada edição e que nos permite entregar ao público uma experiência única e inesquecível. Nesta edição conseguimos agregar novas empresas patrocinadoras e fortalecer os vinculados com os parceiros de muitos anos. Nosso desejo é ampliar o Festival de Jazz nas próximas edições, levando mais e mais artistas para o Vale do Capão”, destaca o produtor executivo e sócio da CulturaTAO, empresa realizadora do evento, Tiago TAO.
Música em sintonia com a natureza
A relação com o território é um dos elementos que caracterizam o Festival de Jazz do Capão. Desde as primeiras edições, o evento procura estabelecer uma conexão com a natureza e com a dinâmica comunitária do Vale do Capão, destino que recebe visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo atraídos por suas paisagens, pela diversidade cultural e pela experiência de contemplação proporcionada pela Chapada Diamantina.
Nesse cenário, o Jazz encontra um ambiente que também convida à escuta. Assim como a natureza pede tempo para ser percebida, a música abre espaços para ouvir, contemplar e estabelecer conexões.
A proposta do Festival é fazer com que esses universos coexistam de maneira respeitosa, valorizando tanto o patrimônio natural quanto as pessoas que vivem e constroem cotidianamente a identidade do Vale do Capão.
“Esse espírito de encontro e união artística que sobe ao palco do FJC também se expande e reverbera na forma como o Festival é produzido e construído. Para que aconteça, existe uma Rede de Parceiros e Apoiadores que atuam em uníssono nas diversas áreas da produção — pousadas, restaurantes, empresas de transporte, prestadores de serviço, produtores e comerciantes locais e da região, entre tantos outros. Essa rede cria um ambiente fraterno e acolhedor que nos proporciona a ambientação que desejamos para receber artistas e técnicos e oferecer ao público o melhor que podemos alcançar a cada edição. Honrando a comunidade local e a natureza da Chapada Diamantina, promovemos, a cada edição, uma Campanha Ambiental de conscientização. Este ano, a campanha está voltada às Unidades de Conservação do município de Palmeiras, buscando informar moradores e visitantes sobre sua importância e os cuidados que devemos ter com cada uma delas. Durante o Festival, também adotamos práticas sustentáveis, como a coleta seletiva dos resíduos, em parceria com o Recicla Capão, e o uso de utensílios biodegradáveis e/ou retornáveis pelos fornecedores da Praça de Alimentação”, destaca a coordenadora de produção e moradora do Vale do Capão, Fabiana Carvalho.
Nesta edição de 2026, seguimos com a Coleta Seletiva dos resíduos, o ordenamento do trânsito, em parceria com a Secretaria de Infraestrutura de Palmeiras e enfatizando a Campanha Ambiental nas redes sociais. Como forma de colaborar e fortalecer organizações do Vale do Capão, disponibilizamos de barraca para venda de alimentos da Comissão de Festeiros de São Sebastião e venda de alguns “produtos” do Festival, como camisas, canecas, entre outros, para serem comercializados, com reversão de 100% do lucro para a Escola Comunitária Brilho do Cristal.
Curadoria e atrações musicais
A curadoria conduzida por Rowney Scott continua com o direcionamento de trazer artistas inéditos para o festival, tentando abarcar a maior variedade possível de expressões artísticas, com trabalhos amadurecidos conceitualmente e com performances qualificadas em termos técnicos e interpretativos.
A abertura no dia 18 de setembro (sexta-feira), a partir das 19h, é um convite a essa descoberta de talentos, com o show da Mostra UFBA trazendo o baterista Victor Brasil (@victorbrasil2), selecionado através de edital interno da Escola de Música, ele apresenta o seu primeiro show solo no Festival de Jazz do Capão, um palco onde já esteve tantas vezes nos últimos anos acompanhando outros artistas. No show Victor será acompanhado por Davi Ribeiro no trompete, Nino Bezerra no baixo e Jorge Solovera na guitarra.
O segundo show da noite de sexta, 18 de setembro, é do Quarteto Emmbra com as instrumentistas Aline Gonçalves (clarinete e flauta), Louise Woolley (piano), Camila Rocha (contrabaixo) e Julia Rodrigues (bateria).
Vindas de diferentes cidades do Brasil e com trajetórias autorais consolidadas, o grupo nasce do projeto Emmbra – Escritas Musicais de Mulheres Brasileiras, idealizado por Aline Gonçalves. O projeto reuniu partituras de compositoras no Brasil e foi vencedor do Prêmio Profissionais da Música 2021 na categoria Livros Musicais.
Nesse show, totalmente autoral, o quarteto mostra a diversidade estética e a potência da produção musical feminina brasileira.
E para fechar a primeira noite do FJC teremos Tiago Nunes e Alana Gabriela em Orí Mejí. Orí Mejí, que significa uma pessoa cuja cabeça é regida por duas divindades, dois caminhos em uma direção, nasce do encontro entre Tiago Nunes e Alana Gabriela, dois percussionistas baianos que reúnem suas pesquisas, referências e vivências para dar forma a uma sonoridade própria.
Esse conceito atravessa o show, em composições autorais e releituras, a partir de diferentes timbres, texturas e dinâmicas. Construindo paisagens sonoras que dialogam com as matrizes afro-brasileiras, a música instrumental e a criação contemporânea.
No sábado 19 de setembro, segundo dia de atrações, o FJC recebe a partir das 18h, a Mostra Capão que é um espaço do Festival de Jazz do Capão (FJC) dedicado à valorização da produção musical local, com artistas reconhecidos por seus talentos e contribuições para a identidade musical do território.
A Mostra Capão é composta por duas apresentações que têm a flauta como protagonista. Ari Vinícius Quinteto e Isa fLautaro apresentam sonoridades e propostas artísticas distintas, unidas pela criatividade e pela experimentação.
Ari Vinícius apresenta composições autorais que integram seu primeiro álbum, atualmente em fase de gravação. Com Ari Vinícius na flauta, Arian Pinho no baixo, Kiko Dorea na bateria, Estevam Dantas no piano e Mauricio Sprovieri na percussão. Ari Vinícius Quinteto constrói uma sonoridade rica em diálogos, improvisação e nuances rítmicas.
Isa fLautaro apresenta um show que une composição e improvisação. O repertório inclui adaptações do álbum What’s Next, além de composições inéditas e obras de Gustavo Rocha.
No palco, Isa será acompanhado por Bruno Lavorini no violão de 7 cordas, Guilherme Luz no baixo, Gustavo Rocha na bateria e Leandro Mendes na percussão, em um concerto que traduz a sua identidade sonora e cultural, como músico do Capão.
A segunda atração da noite de sábado, 19 de setembro, a partir das 18h, é o show “Daniel Santiago Convida”, criado especialmente para o evento num encontro inédito, marcado pela afinidade musical e liberdade criativa. Daniel reúne no palco Guto Wirtti (contrabaixo), Bruno Aranha (teclados) e Reinaldo Boaventura (percussão).
O show transita entre composições autorais de Daniel Santiago e releituras de composições de Heitor Villa-Lobos, Nelson Ângelo e Caetano Veloso, onde a tradição e a inovação dialogam em interpretações marcadas pela cumplicidade e pela interação.
No sábado, 19 de setembro, a partir das 18h, o palco do FJC recebe Nilton Azevedo e Lucas Decliê em um show que reúne esse encontro inédito com os dois saxofonistas, transitando por seus novos trabalhos autorais e colaborando nessa perspectiva de duo; além de reverenciar suas influências na música instrumental com o foco sempre voltado para a improvisação. Eles serão acompanhados de Alexandre Vieira (baixo), Jordi Amorim (guitarra) e Beto Martins (bateria).
Para fechar a noite do último dia, recebemos Ilessi em Atlântico Negro, nascida na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é cantora, compositora e pesquisadora musical. Doutoranda em Música pela UNICAMP, Mestra em Música pelo PROEMUS – UNIRIO, e formada em Licenciatura em Música, também pela UNIRIO. Muito recentemente foi empossada como professora de Canto Popular na Universidade Federal do Recôncavo Baiano.
Em Atlântico Negro, Ilessi apresenta um concerto em que a canção brasileira se abre para a improvisação, o diálogo coletivo e a liberdade criativa. O repertório reúne composições autorais, recriações de obras de importantes compositores brasileiros e cantos de tradição oral, conduzidos por uma linguagem que transita entre a música brasileira contemporânea e o jazz.
No palco, ela é acompanhada por três músicos que estão entre os mais inventivos da cena instrumental brasileira: Marcelo Galter (piano e teclados), responsável pela direção musical e pelos arranjos do projeto; Ldson Galter (contrabaixo); e Reinaldo Boaventura (percussão). O álbum homônimo foi lançado pela Rocinante e o espetáculo reinventa seu repertório a cada concerto, uma experiência intensa de escuta, sensibilidade e liberdade, em que a força da canção encontra a vitalidade do improviso e da criação em tempo real.