Inspirados em lenda urbana e com críticas à hipervigilância, novos terrores japoneses chegam ao Brasil, primeiro país a publicar a obra fora do Japão. Não mexa neste celular e Não mexa neste arquivo apresentam uma premissa amedrontadora: após investigar um caso macabro, um jovem universitário tem a convicção de que está sendo perseguido por uma entidade maligna. As obras, que chegam ao Brasil em junho pela Intrínseca, foram um sucesso no Japão e venderam mais de 140 mil exemplares somente no primeiro mês de lançamento. Agora, em edições comercializadas de forma conjunta, os leitores brasileiros poderão embarcar em uma jornada literária imersiva e única, que critica o estado de extremo monitoramento digital na sociedade de hoje.
No primeiro livro, Não mexa neste celular, a história é apresentada por meio do aparelho de Kazuma Isshiki: nas páginas pares se encontra a narrativa corrida, e as ímpares trazem capturas de tela que auxiliam o leitor a mergulhar no universo da obra. No enredo, Kazuma está precisando de uma fonte de renda para morar com a namorada e, quando aparece a oportunidade de investigar a lenda urbana japonesa de Doumeki, agarra com todas as forças. Quando chega à cidade onde os supostos casos acontecem, ele fica com uma sensação esquisita de que alguém, ou algo, está observando todos os seus passos.
Não mexa neste arquivo, por outro lado, apresenta a avaliação psiquiátrica do assassino responsável por um massacre que chocou o Japão. Por meio de transcrições de entrevistas, matérias, plantas baixas e fotos, a narrativa se desenrola e informações chocantes são reveladas. Entre elas a ideia perturbadora de que, assim como o personagem no livro anterior, o assassino tinha a certeza de que estava sendo perseguido por alguém, fato que o teria levado a tomar medidas drásticas. Cheia de dúvidas inquietantes, a médica responsável pelo caso parte em uma investigação própria para dar uma explicação racional a tudo o que vem acontecendo e, aos poucos, é envolvida pelos mistérios.
O aclamado autor japonês leva os leitores ao extremo para questionar até onde o mistério sobrenatural realmente vai e aproveita para realizar críticas inteligentes à vigilância social por meio da tecnologia
