O melhor da moda autoral e artesanato têxtil da Bahia vai tomar conta dos jardins do MAC-BA (Museu de Arte Contemporânea) de 22 a 24 de maio, com desfiles e feira de moda artesanal. Batizado de Festival Mãos da Moda, o evento marca o lançamento das coleções co-criadas por 6 marcas autorais baianas e 6 grupos de artesãs da área têxtil, vindas de Correntina, Guanambi, Rio de Contas, Dias D’Ávila, Cachoeira e Subaúma.
O MÃOS DA MODA é um projeto da Nordestesse em parceria com o Riachuelo Lab, plataforma de curadoria de talentos em moda, arte e cultura da Riachuelo. Seu objetivo principal é fortalecer e preservar os saberes manuais tradicionais do Brasil, destacando o protagonismo do artesanato e fomentando a geração de renda para as associações artesanais. Isso ocorre através de um intercâmbio enriquecedor entre estilistas e grupos artesanais das áreas têxteis visando elevar a qualidade do artesanato e da moda autoral na região.
Ao longo dos últimos seis meses, estilistas que entraram para o Mãos da Moda por meio de chamada pública vêm desenvolvendo ao lado de mais de 60 artesãs as coleções que serão desfiladas nos dias 23 e 24 de maio (sábado e domingo), nos jardins do MAC-BA.
No mesmo espaço acontece a Feira de Moda Artesanal da Bahia, que vai reunir 23 artesãos e grupos de 22 a 24 de maio, com o melhor do artesanato têxtil do estado (roupas com renda renascença e de bilro, bordados e crochê), além de acessórios em machetaria, metal e crochê.
“Essa parceria entre o Festival Mãos da Moda e a Feira da Moda Artesanal Baiana representa uma oportunidade muito importante de posicionar o artesanato da Bahia em um segmento que agrega valor, criatividade e novas possibilidades de mercado. É um encontro entre identidade, ancestralidade e inovação, que amplia oportunidades de geração de renda e fortalece a presença dos artesãos e artesãs baianos em espaços cada vez mais estratégicos no cenário nacional”, diz Weslen Moreira, coordenador Executivo de Fomento ao Artesanato da Bahia, política pública do governo do estado por meio da Setre.
Moda autoral
O MÃOS DA MODA nasceu da percepção de que a melhor maneira de criadores de moda autoral conseguirem espaço no competitivo cenário nacional é através do trabalho em parceria com artesãos, para oferecer um produto final autêntico, impossível de ser reproduzido em massa e que preserva saberes artesanais ancestrais.
“Nos quatro anos de atuação da Nordestesse, percebemos que as marcas de moda em geral não conhecem ou não sabem como acessar grupos artesanais que poderiam agregar muito à sua imagem e identidade. O MÃOS DA MODA surge para estreitar esses laços, garantindo recursos humanos e financeiros para que essa parceria resulte numa coleção coesa e que fortaleça tanto as marcas quanto os grupos artesanais”, afirma Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse.
Com a parceria com o Riachuelo Lab, o projeto contemplou em sua primeira edição 6 marcas da Bahia e 2 da Paraíba, através dos projetos de incentivo à cultura nesses estados (ICMS Cultural). A ideia, entretanto, é que se torne um projeto perene, envolvendo aos poucos, outros estados brasileiros.
“Investir na criatividade brasileira é investir em inovação, relevância cultural e na conexão autêntica com um consumidor que busca marcas que refletem o país. O Riachuelo Lab nasce como a materialização dessa visão: um espaço de experimentação, criação e conexão entre talentos da moda e da cultura, focado em impulsionar histórias verdadeiras, como faremos agora com o nosso primeiro projeto, o ‘Mãos da Moda’, e assim reafirmamos nosso compromisso como uma marca que acredita e investe nos brasileiros, fortalecendo todo o ecossistema criativo do país.” explica Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo.
Depois do lançamento em Salvador, as coleções seguem para Fortaleza, onde serão apresentadas nas passarelas do Dragão Fashion Brasil, maior semana de moda do Norte- Nordeste, que acontece de 9 a 12 de junho.
CONHEÇA AS DUPLAS VENCEDORAS NA BAHIA
ADRIANA MEIRA, com a coleção Rio que Conta
Os caftãs, jaquetas e vestidos com apliques de tecido formando santos, orixás e imagens abstratas da estilista baiana já rodaram o mundo. Nascida em Brumado, no sertão da Bahia, onde está hoje seu ateliê, Adriana trabalhou na Huis Clos e Adriana Barra antes de lançar sua própria marca, conhecida hoje pelos patchworks de camurça aplicados em linho, jeans e algodão.
Associação de Mulheres Artesãs de Barra Bananal e Riacho das Pedras – Rio de Contas
Este grupo vem de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, mais especificamente dos Quilombos de Barra do Brumado, Bananal e Riacho das Pedras. Por lá, 30 artesãs dessas comunidades se reúnem para produzir e comercializar roupas de cama, artigos de decoração e peças de vestuário. A técnica utilizada na confecção dos produtos é o crivo rústico, técnica de bordado de origem portuguesa, adaptada na Bahia com a utilização de tecidos de sacaria e linhas mais grossas. Caracteriza-se por desfiar o tecido para criar padrões geométricos, resultando em peças com uma rusticidade elegante.
AREIA, com a coleção MIMOSA 2: AÇUCARADOS
Fundada há 5 anos por Adailton Junior, a Areia tem como ponto forte a modelagem oversized e formas fluidas, que dão bossa e rejuvenescem a moda baseada em tecidos de fibras naturais como linho e algodão. O uso pontual de bordados e de palha de piaçava nas golas e barras mostra como a moda se sofistica e se fortalece quando recorre às artesanias de seu território.
AMAPA (Associação das Mulheres Artesãs Padre André) – Correntina
Especializadas em bordado cheio e também craques em corte e costura, as artesãs da Amapa produzem tanto peças de roupa adornadas com seus bordados quanto toalhas, panos de prato e jogos americanos. Fundada na década de 1980 pelo padre que dá nome à associação, a Amapa busca preservar a cultura popular da região, transformando cada bordado em uma narrativa viva das tradições do oeste do estado.
DUA, com a coleção Benditas
As bijoux criadas por Camila para a Dua, marca que lançou com a mãe em 2018, quase sempre trazem branco, dourado e detalhes de búzios africanos. “Minha avó paterna, Dona Alzira, era autoridade no candomblé e sempre andava com um balangandã e peças douradas. Quando faço minhas bijoux, sinto essa conexão com ela, é como se estivéssemos conversando.” Inquieta, apaixonada por experimentações com materiais (cerâmica e madeira já entraram em suas coleções) e dona de mãos habilidosas, Camila cria ciente de sua responsabilidade em manter viva a cultura de seus antepassados.
Associação Artesanal Chitarte – CACHOEIRA
A Chitarte tem na chita bordada sua marca de identidade, símbolo de criatividade, resistência e pertencimento – mas suas artesãs também são craque no ponto-cruz, crivo e bordado livre. Sua atuação vai além da produção artesanal: desde 1987, oferece oficinas de diversas tipologias têxteis e já conquistou reconhecimentos importantes, como a Comenda Maria Quitéria. Em 2024, se tornou Patrimônio Cultural do estado, por conta de seu trabalho na valorização do bordado artesanal sobre a chita.
INTTUÍ, com a coleção Pele de Céu
A Inttui surge com a proposta de rebobinar nosso olhar sobre a alfaiataria: modelagens amplas, silhuetas fluidas e cortes descolados do corpo são a marca da registrada. Sob direção criativa de Washington Carvalho, a marca valoriza processos lentos e sem pressa. Cada coleção é uma ode à estética poética e ao verdadeiro saber-fazer manual, questionando formatos estabelecidos e atualizando o conceito de formal. É uma alfaiataria que dialoga com o presente e se abre para o futuro.
Rendavan (Associação das Rendeiras de Dias D’Ávila)
Fundada em 2009 pela mestra Dinoélia Trindade, a Associação de Mulheres Rendeiras de Dias d’Ávila, a Rendavan, preserva saberes tradicionais por meio de capacitação para salvaguardar a cultura popular, ensinado e produzindo peças de renda de bilro, bordado livre, crochê, corte-costura e modelagem, além de lapidação em vidro. Em 2020, foi reconhecida como Pontão de Cultura e, em 2021, Dinoélia Trindade recebeu o título de Mestra Imortal pela IOVBrasil-Unesco
LUCI BORTOWSKI, com a coleção Memórias para o Futuro
Um pano de prato vira camisa. Toalhas de mesa rendadas se transformam em vestidos. Guardanapos bordados, em tops e sutiãs. Tapeçarias, em jaquetas. Tudo isso arrematado por aviamentos esquecidos. A mágica acontece no ateliê de Luciana Bortowski no Vale do Capão, na Chapada Diamantina. Depois de anos trabalhando como braço direito da designer Fernanda Yamamoto, Luci se mudou para a Chapada na pandemia e decidiu que sua missão seria tornar a moda regenerativa desejável para além do impacto positivo que gera no ambiente.
SERVIÇO:
Areia, Teroy13 e Inttuí desfilam no sábado, 23 de maio, das 15h às 17h
Luci Bortowski, Dua e Adriana Meira desfilam no domingo, 24 de maio, das 15h às 17h
A Feira de Artesanato de Moda da Bahia funcionará nos seguinte horários:
Sexta: das 14h às 20h
Sábado e domingo: das 10h às 20h
MAC-BA: Palacete das Artes, Rua da Graça, 284