Neste sábado (14), a partir das 20h, antes do Ilê Aiyê ganhar a avenida, acontece a tradicional e aguardada saída na Ladeira do Curuzu, marcando oficialmente a abertura do Carnaval do Mais Belo dos Belos. A cerimônia é sempre um dos momentos mais emocionantes, que une fé e folia horas antes do bloco iniciar seu desfile no Circuito Mãe Hilda e depois no Campo Grande, a partir das 2h.
O lançamento de milho branco, pipoca e pó de pemba sobre o público é um ritual de benção e purificação, dedicado aos orixás, especialmente Oxalá e Obaluaê. A pipoca, associada a Obaluaê, representa cura, limpeza espiritual e renovação de energias. Já o uso de pó de pemba e as oferendas com o milho branco simbolizam paz, sabedoria e proteção, fortalecendo o pedido por uma caminhada tranquila e segura ao longo do desfile.
Outra tradição simbólica é a soltura das pombas brancas, dedicadas a Oxalá. O gesto reforça a mensagem de paz e a trajetória do Ilê Aiyê como um movimento de resistência cultural e política desde 1974, quando enfrentou preconceito por ser o primeiro bloco afro do país. As pombas representam liberdade e esperança, reafirmando que a revolução do Ilê é construída por meio da arte, da cultura e da valorização da identidade negra. Mais do que um espetáculo, a saída do Curuzu é a extensão do terreiro Acé Jitolu, legado de Mãe Hilda de Jitolu, onde religiosidade e ancestralidade se encontram para abrir os caminhos de mais um Carnaval histórico.
A edição de 2026 também é marcada pela expectativa em torno da estreia do reinado da Deusa do Ébano Carol Xavier, moradora de Sussuarana, e das princesas Sarah Moraes, também de Sussuarana, e Stephanie Ingrid, do Nordeste de Amaralina, que assumem a missão de representar o Ilê Aiyê na maior festa de rua do mundo.
FANTASIAS – A venda das fantasias é presencial na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, e a retirada pode ser feita pelos associados de segunda a sexta, das 10h às 20h, e sábado, das 10h às 14h, com pausa para o almoço. O investimento é de R$1.000 e inclui uma fantasia exclusiva que será a chave de acesso ao bloco durante os dois dias, sábado (14) e segunda (16).
TEMA 2026
No Carnaval de 2026, o primeiro bloco afro do Brasil acompanha o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, conectando Bahia e Rio de Janeiro a partir da memória, da ancestralidade e da luta de povos afro-indígenas que sustentam, geração após geração, as bases da identidade brasileira.