O projeto “Cutucar o MAM – 45 anos de Oficinas Criativas” tem o objetivo de revisitar, por meio de novas perspectivas contemporâneas, as oficinas desenvolvidas pelo Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM nos últimos 45 anos. Realizado pela VIA Press Comunicação, em parceria com o próprio MAM, o projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, executado pela Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e direcionado pelo Ministério da Cultura, Governo Federal.
Além das oficinas, são conduzidas também rodas de conversa. Todas as atividades são gratuitas e acontecem no Galpão de Oficinas do MAM, localizado no Solar do Unhão. Vale lembrar que o MAM é administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), unidade vinculada à SecultBA. A primeira ação do projeto “Cutucar o MAM” foi a Roda de Conversa e a Oficina de Processos Criativos com a artista visual Goya Lopes. Nesse mês de janeiro, o cronograma será retomado de forma robusta, com uma roda de conversa e quatro oficinas, sendo duas para adultos e duas para crianças.
Confira o detalhamento de cada uma das atividades, abaixo, entre 17 de janeiro e 01 de fevereiro. Em seguida, haverá uma pausa para o carnaval. As ações serão novamente retomadas no dia 28 de fevereiro e seguirão até 16 de maio.
Oficina de Cerâmica Fria
A Oficina de Cerâmica Fria terá três encontros e será realizada aos sábados, nos dias 17, 24 e 31 de janeiro, sempre às 14h. Para se inscrever gratuitamente, os interessados devem acessar os perfis de Instagram do MAM (@bahiamam) e do próprio projeto (@cutucaromam). O link para o formulário de inscrição está localizado nos cabeçalhos (bios) desses perfis. São oferecidas 20 vagas, disponíveis para todos os públicos. Cada encontro terá a duração de três horas.
No primeiro encontro, serão apresentados os materiais, as referências estéticas e os possíveis caminhos a serem trilhados, bem como a investigação e a execução das primeiras peças. No segundo encontro, serão trabalhadas a composição estética, a conceituação e a aplicação de adereços. O terceiro e último encontro será dedicado às finalizações e pinturas das peças. O objetivo geral é a criação livre e espontânea de obras de arte a partir de um processo provocativo que se vale da linguagem da escultura e de referências afropindorâmicas.
O ministrante será o artista plástico autodidata Lumumba, descendente de congoleses e indígenas da etnia Puri-Guarani, da Serra do Caparaó. Iniciou sua trajetória em 2001, pintando orixás em juta e traduzindo os mitos yorubás. Em 2009, começou a se dedicar a trabalhos de escultura cenográfica para a Dreamworks, o Beto Carrero World, e eventos como a Oktoberfest, a Parada Momentos Mágicos Disney – Brasil e as óperas infantis para o Teatro Municipal de São Paulo. Em 2017, participou do I Encontro de Pajés no Parque Indígena do Xingú. Em 2020, esculpiu o Monumento a Tebas, arquiteto negro escravizado que conquistou sua liberdade através de trabalhos arquitetônicos realizados na Igreja da Sé. Em 2021, participou do evento MAR 360 (Museu de Arte de Rua). Em 2022, esculpiu o troféu que foi entregue ao melhor jogador da final da Copa Libertadores da América. Atualmente, tem se dedicado à criação de uma nova coleção que funde as culturas africana e indígena.
Oficina de Desenho de Observação – Brinquedos Geométricos
A Oficina de Desenho de Observação – Brinquedos Geométricos propõe uma imersão nos fundamentos da forma, da proporção e da percepção visual a partir de práticas experimentais que articulam desenho, geometria e ludicidade. No total, serão 12 encontros gratuitos, sempre aos sábados, das 9h às 13h30. Para se inscrever, também é necessário acessar o formulário de inscrição disponível nas bios dos perfis de Instagram do MAM (@bahiamam) e do projeto “Cutucar o MAM” (@cutucaromam).
Os dois primeiros encontros acontecerão nos dias 17 e 24 de janeiro. Neles, os participantes serão introduzidos às proporções geométricas por meio de exercícios de análise de obras, dobraduras em origami, construções com compasso e experimentações com papel recortado. O percurso formativo inclui ainda o uso de brinquedos ópticos, como o caleidoscópio, o que servirá para ampliar a compreensão das relações entre repetição, simetria e ritmo visual. Já os dez encontros seguintes serão realizados de 28 de fevereiro a 16 de maio, também aos sábados, exceto nos dias 4 de abril e 2 de maio. Por fim, haverá uma mostra final dos trabalhos produzidos, de 19 a 30 de maio, período em que as obras ficarão expostas no MAM.
Ministrada por Olga Gómez, a atividade retoma uma metodologia já consagrada pela artista plástica e educadora. Argentina radicada na Bahia desde 1986, ela fundou e dirige a Companhia A RODA. Ao longo desse tempo, Olga vem mantendo uma extensa parceria com o MAM, colaborando direta e indiretamente e tendo se tornado conhecida, entre outros projetos, por coordenar a Oficina de Desenho de Observação.
Oficina Caixa Mágica Fotográfica
Sem necessidade de inscrição prévia, a Oficina Caixa Mágica Fotográfica, voltada para jovens e crianças a partir de cinco anos, terá um total de oito encontros, sempre aos domingos, das 14h às 16h, e acontecerá em duas etapas. A primeira etapa será nos dias 18 e 25 de janeiro e 01 de fevereiro, enquanto a segunda etapa ocorrerá nos dias 01, 08, 15, 22 e 29 de março. Cada encontro tem a duração de duas horas.
A oficina possibilitará uma vivência teórico-prática voltada à introdução dos princípios fundamentais da fotografia, a partir da construção e utilização da câmera escura, também conhecida como caixa mágica. A atividade possibilita aos participantes a compreensão do processo fotográfico, desde a entrada da luz até a formação da imagem. Durante a oficina, os participantes serão apresentados a conceitos como luz, sombra, enquadramento e percepção visual. Em seguida, realizarão a construção artesanal da caixa mágica fotográfica, utilizando materiais simples.
A proposta da oficina valoriza a experimentação e o aprendizado coletivo, incentivando a observação do cotidiano e o desenvolvimento do olhar crítico e sensível. Ao final da atividade, os participantes poderão testar os dispositivos construídos, vivenciando o princípio óptico na prática, e poderão levar para casa suas caixas mágicas.
A atividade será conduzida pelo Coletivo Cutucar, um grupo criado em 2012 e composto por jovens artistas moradores de comunidades do Subúrbio Ferroviário de Salvador, que se uniram a partir de uma ideia em comum: olhar a comunidade pelo processo colaborativo e ampliar os limites transformadores da linguagem e da experiência artística e comunitária. Para isso, eles utilizam a fotografia, a poesia e o audiovisual. O Coletivo já produziu filmes de curta metragem ganhadores de festivais, além de oficinas de contação de histórias, criação de brinquedos com materiais recicláveis, fotopoesia, ligth painting, fotografia, vídeo, escrita criativa e caixa mágica. O grupo também atua em parceria com Goethe Institut, Projeto Lugar de Gigantes, NEOJIBA, UNILAB, grupo Maria Scombona e Espaço Boca de Brasa.
Oficina de Arte em Papelão para Crianças
A Oficina de Arte em Papelão para Crianças tem como objetivo principal promover a conscientização sobre a sustentabilidade, o direito à moradia e a preservação da biodiversidade. A atividade utiliza materiais acessíveis e reutilizáveis, sobretudo o papelão, e faz com que crianças a partir de seis anos explorem a criatividade e as habilidades manuais.
Serão oferecidos oito encontros ao longo de duas semanas, de terça a sexta-feira, nos dias 20, 21, 22, 23, 27, 28, 29 e 30 de janeiro. Cada encontro terá a duração de duas horas, sempre das 14h às 16h. Não há necessidade de inscrição prévia.
A ação será conduzida pelo Coletivo MUSAS, que já realizou intervenções artísticas nos quilombos de Cachoeira. Com o projeto Realeza Quilombola, o grupo busca contribuir para o desenvolvimento sustentável e a valorização cultural dos quilombos. Para isso, o MUSAS propõe celebrar a vida das matriarcas quilombolas por meio de ensaios fotográficos, que serão transformados em grafites inspirados na história e cultura dos quilombos, registrando artisticamente o papel de protagonismo que elas ocupam. As intervenções em grafite contribuem diretamente para a valorização urbana dos quilombos e para o fortalecimento do turismo nessas localidades.
Roda de Conversa com Ieda Oliveira
Intitulada “Trajetórias Visuais de Ieda Oliveira”, a roda de conversa propõe um bate-papo acerca do percurso poético e visual da artista baiana, a partir do seu lugar de fala como mulher nordestina. O objetivo é explorar os caminhos conceituais da artista, seus processos criativos e suas referências, os quais dialogam com a oralidade e os saberes populares.
Nascida em Santo Antônio de Jesus e residente em Salvador, Ieda é doutora, mestre e graduada em Artes Visuais pela UFBA, com forte atuação na Escola de Belas Artes. Sua obra integra importantes exposições nacionais e internacionais, como a 26ª Bienal Internacional de São Paulo, a III Bienal do Mercosul e a II Trienal de Luanda. No seu trabalho, ela utiliza objetos, vídeos, instalações, fotografias e performances.
A roda de conversa será no dia 24 de janeiro, às 10h, na Sala das Arcadas do Museu de Arte Moderna – MAM. A duração prevista é de três horas e não há necessidade de inscrição prévia. Para uma mais ampla acessibilidade do público, a atividade contará com intérprete de libras.
Vale notar que Ieda fez residências artísticas na Kunstlerhaus de Hamburgo, na Alemanha, e no Taipei Artist Village, em Taiwan. Realizou mostras individuais internacionais e participou de mostras coletivas, como, por exemplo, no Centro Cultural Banco do Brasil e na Galeria de Arte Contemporânea de São Paulo. Em 2018, ganhou o Prêmio FUNARTE – Periferias e Interiores. Em 2020, participou do Projeto RUA (Roteiro de Arte Urbana), inaugurando a instalação permanente intitulada “Haras para M.B.O.”, na Praça da Inglaterra, uma das mais importantes da capital baiana. Atualmente, apresenta a obra “Ninho de Cobra” na Mostra Desmanche, no Centro Cultural Vale. Em Salvador, já expôs diversas vezes no Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu da Bahia, Goethe Institut e Galeria ACBEU. O seu interesse temático reflete e revela aspectos originais do cotidiano baiano e nordestino com a interface transdisciplinar na contemporaneidade, conectando o local ao global




















