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Genevieve Coelho: da Índia para o mundo realizando sonhos de casais com excelência

Médica administra a clínica IVI, especialista em reprodução humana

Foto | Divulgação- PIPA

Em sua coletânea de contos “Bahia de Todos os Santos”, publicado em 41, Jorge Amado escreve sobre o estado: “É um lugar mágico, onde tudo parece possível.”. Não temos como negar o escritor baiano, ainda mais conhecendo Genevieve Coelho, médica que saiu praticamente do outro lado do mundo, morou na Espanha, e abriu uma clínica de sucesso, a IVI, na Bahia, se tornando referência em reprodução assistida no Brasil.

Quem vê seus olhos amendoadas, seus cabelos negros e sua fala calma, já percebe que tem sangue indiano. Ela nasceu em Goa, na Índia, um estado turístico popular conhecido por suas belas praias, arquitetura colonial portuguesa e vibrante cultura local. Colônia de Portugal por mais de 450 anos, Goa possui uma rica herança que se reflete em sua culinária, música, festivais e costumes.

Litoral de Goa, na Índia – Foto | Canva

Aos 7 anos, a pequena Genevieve – que ainda “só” falava hindu e inglês – saiu de sua cidade natal rumo ao desconhecido, para acompanhar o pai, Ângelo Coelho, a abrir uma fábrica de suco de laranja de uma multinacional no país. Foram para a Suíça, onde a empresa tinha a sede, passaram por São Paulo, Feira de Santana e se instalaram em Salvador.

“Lembro demais quando vim para cá. Foi a primeira vez que atravessamos o atlântico. E moramos em um hotel em Salvador por um mês. Foi o máximo. Todo dia a gente escolhia uma refeição diferente no cardápio para comer”, diverte-se a médica. E moravam também os irmãos Gisele, Gerard e Gerson, e a mãe Cinthia Bragança.

“Me defino como uma pessoa globalizada. Tenho a determinação do asiático, a alegria do latino e a cultura do europeu.”

A adaptação não foi tão difícil, apesar de não saber português. “Entrei na escola sem saber. Tive que fazer um curso em paralelo para acompanhar minha turma. Todo mundo me olhava com estranheza, por ser indiana”, relembra. Já com a culinária, houve um estranhamento ao ver que toda a comida aqui tinha farinha por cima. “A gente achava esquisito, pois a comida na Índia é toda separadinha. Aqui, botavam farinha e misturavam tudo”, ri. Mas se adaptou e adora uma boa feijoada.

O acarajé foi o mais fácil. “Ele lembra um bolinho que tem na Índia, de grão de bico, tipo o falafel árabe, mas sem dendê. Então era mais fácil comer pois era crocante e frito. A moqueca também foi fácil, pois lembrava o cury”.

Cultura em família

Genevieve já chegou em Salvador com o hábito de ouvir música clássica e da leitura, incentivada pelo pai, multiculturalista. Lia tudo, desde contos infantis a histórias de suspense. Aos 12, já havia lido o pesado “O Diário de Ane Frank”, no qual uma adolescente relata como era sua vida escondida com sua família e outros quatro refugiados em um anexo secreto atrás de uma casa em Amsterdã, na Holanda, para escapar da perseguição nazista. “Fiquei bem impactada com a história”, relembra.

O pai também a matriculou para aprender Francês na Aliança Francesa, já aos 13 anos. “Eu me sentia completamente perdida, pois a pessoa mais jovem depois de mim tinha 23 anos. E eram muitos professores de literatura, que discutiam escritores franceses e eu lá, perdida. Mas foi bom porque conheci novos autores”, destaca. E então a jovem passou a ler o russo Fiodor Dostoiévski e autores franceses, até começar a ler o colombiano Gabriel Garcia Marques e Jorge Amado.

“Adoro Jorge Amado. Quem gosta da Bahia e entende a cultura, adora ele. Não tem como você andar pelas ruas do Pelourinho e não sentir Jorge Amado”

Com a oportunidade de morar em diversos países, Genevieve não se arrepende de escolher Salvador como o seu lar. “Gosto da índole do baiano. Enxergo a Bahia com aquela visão idílica, que reúne uma série de coisas boas como a culinária, a cultura, a beleza natural. Não tem igual”, afirma.

Começo de um sonho

Formada em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ela fez residência também em Salvador, tendo contato com algumas pessoas da – ainda – Clínica IVI, com sede em Valência, na Espanha. Já formada e pós-graduada em ginecologia e obstetrícia, faltava a especialidade na área de reprodução assistida. Mas, nos anos 2000, não existia, no Brasil, especialização desta área.

O caminho de Genevieve na reprodução assistida começou a ser trilhado quando a capital baiana recebeu um congresso internacional de endometriose. “Assisti à uma palestra do professor e doutor José Remohi [dono da IVI] e, como diz aqui na Bahia, na cara dura, pedi um estágio na clínica dele.

Depois de passar um mês e voltar ao Brasil, a médica ficou mais dois anos e foi fazer uma pós-graduação novamente na IVI. O que era para durar um ano, durou quatro, já que ela foi contratada como médica. “Já estava trabalhando lá, quando fui para o setor internacional, então fazia consulta com pacientes de diversas partes do mundo”, relembra ela, que fala ainda italiano.

Quando a IVI criou o Projeto Brasil para abrir três clínicas no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, Genevieve viu a oportunidade de voltar para a capital baiana, onde queria ficar por conta da família. “Temos que morar onde temos raízes e em Salvador, é onde tenho as minhas”, diz.

Porém, a crise de 2008 quase colocou tudo a perder, pois o Projeto Brasil seria abortado. Mas a médica garantiu: “Mantenha o projeto Salvador, que te garanto que, em dois anos, vamos ser autossuficientes”. Eles confiaram e a clínica IVI completa 14 anos, agora em 2024, e recebem pacientes do Brasil todo, com o nascimento de 4 mil bebês realizando sonhos de casais – o que equivale a um nascido por dia desde que a clínica abriu as portas. Hoje em dia, o Grupo IVI tem 190 clínicas em 15 países.

Clínica e maternidade

No último ano na Espanha, Genevieve conheceu o belga Gino Vanneste e engravidou. No retorno a Salvador, se desdobrou entre montar a clínica e se preparar para o nascimento de Isabela e ainda amamentá-la, já que a Clínica IVI foi aberta seis meses depois que a filha nasceu. “Era a única médica e fazia tudo. Atendia, amamentava, atendia, amamentava e fui me virando”, diz.

Clínica IVI funciona na Av. Paulo VI – Foto | Divulgação

E o que era uma clínica com uma médica e oito funcionários, se transformou em uma estrutura com 7 doutores especialistas em reprodução assistida e 40 colaboradores. O que eram oito tratamentos por mês realizados pela clínica, passaram para mais de 100, deixando a IVI como referência no país, também pela segurança com que os embriões são guardados, com um sistema único no país.

“Ter filho é um projeto de vida. Temos pacientes que guardam dinheiro para realizar o sonho de ser pais. A reprodução assistida não é só para a elite, mudamos esse conceito. A clínica IVI deixou o sonho ser mais acessível.”

E a fama chega, para desespero de jovem Isabela. Cada vez que sai de casa com a mãe, sabe que vai ter muita gente encontrando-as na rua e agradecendo por Genevieve ter realizado o sonho de ser mãe ou pai, mostrando com orgulho o filho.

Próximos desafios

O, agora ex-marido, Giano voltou para a Bélgica, onde Isabela vai passar as férias, se dividindo entre o país europeu e a Bahia. E Genevieve também continua rodando o mundo ao lado do “namorido” Jeferson Góes. Mas a médica tem escolhido cidades menores para visitar, como a região de Champanhe e Provença. “Já conheço os grandes centros. Então procuro ir para roteiros diferenciados, no interior, sem muita confusão. Gosto disso”.

Me recolho à humildade, que vem com a maturidade. Sempre digo que tenho algo a ensinar para alguém e tenho a aprender, a ouvir mais.

Ela tem o desejo de levar Isabela para a Índia. Enquanto esse dia não chega, segue dirigindo a clínica com maestria, fazendo aulas de boxe, assistindo à filmes e pronta para o próximo desafio profissional: assumir a pós-graduação em reprodução humana na Faculdade Zarns (antiga FTC), a primeira na Bahia.

“É uma área difícil, só conseguimos montar porque temos uma estrutura grande por trás. É mais um passo. Sempre almejei conquistar esse tripé: a ciência, a humanização com o paciente e o ensino. Queremos plantar para o futuro. Isso é a coroação da maturidade profissional, conseguir ensinar”, diz.

Com a determinação e a maturidade de doutora Genevieve Coelho, não temos dúvidas de que os próximos voos serão bem sucedidos.

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