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Crítica – Clonaram Tyrone!

De início Clonaram Tyrone! parece ser uma homenagem aos filmes blaxploitation da década de 1970, mas conforme a trama progride o filme se mostra uma reflexão sobre esse tipo de representação e como o que soa positivo em um dado momento pode ser usado para estagnar o progresso em outros. Claro, tudo isso em meio a uma trama bizarra de clonagem e conspirações governamentais.

A trama é centrada no traficante Fontaine (John Boyega) que começa a achar que tem algo estranho ocorrendo em seu bairro depois que o cafetão Slick (Jamie Foxx) diz ter visto Fontaine ser morto a tiros por um rival. Com a ajuda da prostituta Yo-Yo (Tayonah Parris) eles esbarram em uma instalação governamental nos subterrâneos do bairro desenvolvendo meios de clonar e controlar as mentes da população.

O que começa como uma aventura amalucada logo vira uma trama reflexiva sobre questões de representação. Ao revelar que Fontaine e Slick estão sendo clonados como um instrumento de controle do bairro, o filme pondera sobre como certos arquétipos de personagem acabam sendo usados para repetir certos clichês de representação acerca de um determinado grupo social e como a reprodução desses clichês (a clonagem nesse caso) impede o progresso dessa população.


Do mesmo modo, a noção de que produtos de consumo massivo como frango frito e creme alisador de cabelos tem substâncias que controlam a mente das pessoas do bairro serve como uma metáfora de como o capitalismo constrói uma impressão de “cultura negra” que não vem dessas populações e sim imposta por padrões de consumo. A ideia de controle mental através desses produtos nos faz pensar em como grandes corporações vendem a ideia que estão trabalhando em prol de uma emancipação ou valorização desses grupos sociais quando na verdade estão sutilmente fazendo eles absorverem uma visão de mundo branca sem sequer perceberem, sendo assimilados pela cultura dominante se tornando parte dela ao invés de terem sua própria cultura e identidade valorizada e preservada.

Essas ideias de assimilação e colonização das mentes não são trabalhadas com a contundência apresentada em Corra! (2017), em parte porque as vezes o filme demora a encontrar seu rumo e se alonga mais do que deveria, mas não deixam de trazer provocações interessantes sobre cultura e consumo. A produção, no entanto, é eficiente em achar um equilíbrio entre a comédia e a paranoia, pontuando todo o absurdo lisérgico de sua história sem perder de vista o subtexto social que guia a trama.

O trio principal consegue criar personalidades pitorescas para seus personagens, divertindo com os maneirismos que remetem ao blaxploitation, no entanto o material também dá motivações e humanidade o suficiente a esses personagens para que eles nunca descambem para caricaturas rasteiras. Não chegam a ser desconstruções plenas dos arquétipos que representam, mas ao menos trazem uma maior medida de complexidade a esses tipos.

Com irreverência, Clonaram Tyrone! parte de uma premissa bem aloprada para refletir sobre dominação cultural e representação.

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