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Cinema

Crítica – O Peso do Talento

Apesar de ser fã de Nicolas Cage e achar curiosa a premissa deste O Peso do Talento, temi que acabasse sendo um filme de uma piada só que tenta se sustentar apenas com Cage devorando o cenário como foi o caso de Eu, Deus e Bin Laden (2017). Felizmente isso não acontece aqui e O Peso do Talento é simultaneamente uma paródia da trajetória artística, digamos, errática de Cage, que vai de filmes premiados a completas porcarias, ao mesmo tempo que celebra a singularidade de seu estilo de performance e o legado de seus trabalhos.

Na trama, Nicolas Cage (Nicolas Cage) está endividado e prestes a desistir da carreira de ator para se reaproximar da filha, Addy (Lilly Mo Sheen). É nesse momento em que seu agente lhe passa uma oferta de um trabalho fácil que irá lhe render alguns milhões, basta comparecer à festa de aniversário do magnata espanhol Javi (Pedro Pascal), que o ricaço pagaria um alto cachê pela breve companhia de Cage. As coisas se complicam quando Cage chega à Espanha e é abordado pela agente da CIA Vivian (Tiffany Haddish). Vivian quer recrutar Cage para espionar Javi, que supostamente seria o líder de uma quadrilha internacional de tráfico de armas e sequestrou a filha de uma autoridade local.


Se esse breve resumo soou muito louco é porque o filme de fato é completamente aloprado e abraça sem medo esse absurdo. A trama em si é uma desculpa para Cage exercitar todos os tipos de situações típicas de seus filmes e trazer sua peculiar intensidade para um contexto cômico e paródico de si mesmo. Cage não apenas é perfeitamente capaz de rir de si mesmo, como consegue até dar um peso emocional genuíno para a relação com Addy. Nas mãos de outro ator esse conflito familiar todo calcado em clichês seria aborrecido, mas Cage nos faz nos importar com esse relacionamento.

Cage é esperto em levar na esportiva toda a zoeira e memes feitos em cima de suas performances (há uma diálogo que referencia a cena das abelhas de O Sacríficio), como também usa todos esses elementos para pensar seu próprio processo criativo e trajetória artística. Nesse sentido, o filme também homenageia o legado de Cage, reconhecendo sua habilidade em entregar performances marcantes mesmo nos piores projetos. A narrativa inclusive reconhece o poder da arte de se conectar com as pessoas, lembrando que mesmo produções que não são grande coisa podem se conectar com as pessoas graças a performance dedicada de um ator, já que ao longo da projeção vemos como Cage realmente foi a fundo para entender os personagens que interpretou.

Pedro Pascal é ótimo como um fã deslumbrado de Cage e ao lado dele rende algumas das cenas mais divertidas do filme conforme a dupla basicamente disputa quem devora mais o cenário. Toda a sequência dos dois correndo sob efeito de ácido pelas praias da Espanha é impagável e em alguns momentos me peguei chorando de tanto rir. Claro, algumas piadas e referências só vão funcionar para quem tem um amplo repertório de filmes do Cage e aprecia o estilo singular de composição de personagem que mistura todo tipo de referências, desde os cânones europeus, até influências do teatro japonês.

Sério, eu sei que parece que o Cage simplesmente entra no set e surta, mas há um processo e um método por trás de suas escolhas que não são tão aleatórios (ao menos na cabeça do próprio Cage). Como eu falei, ele mistura referências ocidentais e orientais em seu processo, com muitas de suas performances, por exemplo, remetendo a uma corporalidade histriônica (e uso aqui o termo sem o juízo de valor negativo ao qual ele é normalmente associado no ocidente) presente em atores asiáticos, como o trabalho de Toshiro Mifune em Rashomon (1950).

Com galhofa e afeto, O Peso do Talento é uma divertida comédia que celebra o legado artístico de Nicolas Cage de uma maneira coerente com a trajetória aloprada da carreira do ator.

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