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Crítica – Assassinato em Mônaco

Um bilionário é morto em sua cobertura em Mônaco. Ele estava trancado em seu quarto do pânico, mas morreu asfixiado pela fumaça de um incêndio iniciado por invasores. Parece a premissa de um mistério escrito por Agatha Christie, mas é o caso real envolvendo a morte do banqueiro Edmond Safra. Produzido pela Netflix, o documentário Assassinato em Mônaco reconta essa história e vai um pouco além, ponderando também sobre objetividade no documentário e o que acontece quando um cineasta se envolve demais com os sujeitos filmados.

Mistério do quarto fechado

O documentário narra como o banqueiro Edmond Safra foi morto em sua cobertura em Mônaco e toda a investigação que se seguiu, com direito a várias teorias conspiratórias e diferentes suspeitos que iam desde a máfia russa, para quem Safra supostamente lavava dinheiro, passando pela sua viúva, a brasileira Lily Safra cujo marido anterior também morrera em condições suspeitas, chegando até o enfermeiro de Edmond, Ted, que teria inventado a história de invasores no apartamento, simulado ter sido esfaqueado por eles e iniciado um incêndio para alertar as autoridades, que demoraram demais a vir.


É um documentário que não vai muito além dos dispositivos típicos das produções true crime de streamings, recorrendo a entrevistas, imagens de arquivo e ocasionais encenações. O que envolve, no entanto, é a história em si, que parece saída de um romance policial, cheia de suspeitos e com um clima constante de conspirações. Em uma hora suspeitamos que o banqueiro pode ter sido morto por mafiosos depois de ter colaborado com o FBI nos Estados Unidos, em outro a viúva, que já enterrou três outros maridos, soa como uma suspeita viável, agindo nas sombras para incriminar outra pessoa. Os personagens pitorescos são outro elemento que conquista o espectador, seja a repórter investigativa que sempre tem um comentário sarcástico, a aristocrata Lady Colin Campbell que trata a equipe do documentário como se fossem seus empregados ou o carismático ladrão italiano que dividiu a cela com Ted na prisão de Mônaco.

Perspectiva em jogo

Tão inesperada quanto as guinadas do caso em si é a guinada que o documentário dá em seu terço final para refletir sobre o próprio ato de filmar alguém e como a proximidade com o sujeito filmado pode fazer o realizador se implicar no processo e alterar sua percepção dos fatos. Tudo começa quando o diretor recebe uma ligação de Ted, mais uma vez foragido da polícia e alvo de uma investigação criminal. Como no caso Safra, Ted mais uma vez se diz alvo de uma grande conspiração contra ele e o diretor estranha que um sujeito que se diz tão correto se coloque constantemente em situações similares.

Isso faz o diretor revisar todo o material que tem de Ted e perceber como se deixou levar pela conversa dele, ignorando os sinais que estavam ali e deixando de checar coisas básicas das declarações dele, como o fato dele dizer que serviu como Boina Verde do exército dos EUA, fato que o diretor rapidamente descobre ser falso ao consultar um especialista. Inclusive é curioso que a rígida equipe de segurança de Edmond Safra também não tenha feito uma checagem minuciosa desse sujeito que contrataram para ser enfermeiro do bilionário.

Isso mostra como o diretor se deixou conquistar pelo discurso de Ted, aderiu a perspectiva dele e perdeu certa capacidade de olhar para os fatos com distanciamento. Por conta disso ele não só deixou de checar tudo como deveria, mas também quase produziu uma versão deturpada dos eventos ao aderir a perspectiva de Ted, vendendo-o como um coitado injustiçado usado como peão em jogos de poder de gente mais poderosa. Ao invés disso, no final o diretor consegue ver algo que até então ignorava, mas que foi dito por vários entrevistados ao longo do filme, que Ted era um mentiroso contumaz e fabricava sua própria visão de realidade. Os fatos, como a atrapalhada tentativa de Ted em fugir da prisão, mostram também que Ted não era exatamente um sujeito brilhante, o que explicaria os elementos do caso que não faziam sentido.

É um lembrete a respeito da importância de se manter um distanciamento crítico em relação à realidade filmada, que por mais que você tenha alguma simpatia pelos sujeitos que filma não se pode se deixar aderir a perspectiva sem colocá-las em xeque.

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