A escritora inglesa Jane Austen é um fenômeno. Com livros lançados há mais de 200 anos, podemos dizer que, de suas obras, são adaptados grandes filmes. Não tem filme ruim quando o roteiro se baseia em suas obras. Ótimos exemplos são Razão e Sensibilidade (1995), Emma (1996), Orgulho e Preconceito (2005) e Amor & Amizade (2016).
Na pior da hipótese, filmes com o selo OK, como Persuasão (2022). Até filmes inspirados livremente em suas obras são excelentes, como As Patricinhas de Bervelly Hills (inspirado em Emma) e O Diário de Bridget Jones (que é baseado no romance publicado em 1996, claramente inspirado em Orgulho e Preconceito). Agora, chega aos cinemas mais uma versão de Razão e Sensibilidade, que estreia nos cinemas dia 29 de outubro.
Na trama, acompanhamos a história de amor e amizade entre as irmãs, a racional Elinor (Daisy Edgar-Jones) e a sensível Marianne Dashwood (Esmé Creed-Miles), que, após perderem sua casa com a morte do pai, se mudam para uma propriedade distante, onde enfrentam desafios financeiros e descobrem as complexidades do amor na Inglaterra do século XIX.
Dirigido por Georgia Oakley (que havia comandado o bom e pouco visto Blue Jean), o longa tem como grande trunfo seu elenco e, claro, o texto de Jane Austen, que foi roteirizado muito bem pela estreante Diana Reid, gerando um filme delicioso de assistir, do início ao fim.
Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles brilham em seus papéis. Elas não interpretam as irmãs Dashwood: elas as habitam, e a gente as ama. Mas também são destaques Bodhi Rae Breathnach (a irmã mais nova delas), George MacKay (Edward Ferrars), Herbert Nordrum (Coronel Brandon) e Fiona Shaw (como sempre, maravilhosa, como Sra. Jennings).
Ainda tem Caitriona Balfe (a Sra. Dashwood, mãe das irmãs) e Frank Dillane (John Willoughby, o vilão romântico de Marianne). Enquanto assistimos, nos preocupamos realmente com cada um dos personagens, são 2h12 de filme que nos deixam vidrados na tela, ansiosos por saber para onde aquela história vai dar.
Razão e Sensibilidade é o tipo de filme que restaura a fé no bom cinema de época. Na emoção contida de Elinor, no coração exposto de Marianne e em cada olhar trocado na Inglaterra oitocentista, a direção de Georgia Oakley encontra o pulso que torna Jane Austen eterna. Fica a certeza de que ainda existe cinema que emociona sem gritar, que encanta sem pressa e que merece ser visto na tela grande, nos fazendo sair com um grande sorriso e o coração leve da sala de projeção.
Imperdível, e, sem medo de errar, a melhor adaptação de Austen desde a versão de 1995.
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