Taxa de Rolha: por que valorizar o serviço vai além do conteúdo da garrafa

Foto | Divulgação

<div class&equals;"wp-block-image">&NewLine;<figure class&equals;"aligncenter size-full is-resized"><img src&equals;"https&colon;&sol;&sol;bahiasocialvip&period;com&period;br&sol;wp-content&sol;uploads&sol;2026&sol;05&sol;Logo-Arena-Livre&period;webp" alt&equals;"" class&equals;"wp-image-96471" style&equals;"aspect-ratio&colon;3&period;35940707902761&semi;width&colon;434px&semi;height&colon;auto"&sol;><&sol;figure>&NewLine;<&sol;div>&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>A recente atitude agressiva do cantor Ed Mota e amigos em um restaurante no Rio de Janeiro reacendeu uma velha polêmica&colon; a cobrança da taxa de rolha&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Quem nunca quis levar o próprio vinho ao restaurante e não pagar nada por isso&quest; Parece simples&colon; afinal&comma; o vinho é seu&period; Mas é curioso como&comma; até hoje&comma; muita gente ainda não enxerga o vinho como parte importante da rentabilidade de um restaurante&period; Nunca vi ninguém chegar com cervejas&comma; refrigerantes ou ingredientes na bolsa e achar isso absolutamente normal&period; Com vinho&comma; existe essa cultura&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Trabalho com vinhos há 18 anos&period; Na maior parte do tempo&comma; estive &OpenCurlyDoubleQuote;do lado de cá”&colon; vendendo para restaurantes&comma; treinando equipes&comma; ajudando na construção de cartas e prestando consultorias&period; Mas também já trabalhei dentro de restaurantes&comma; tive loja de vinhos e servi clientes&period; E&comma; antes de qualquer função profissional&comma; sou consumidora&period; Ou seja&colon; conheço bem os dois lados dessa moeda&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>O mercado do vinho no Brasil ainda é jovem&period; Grande parte do consumo está concentrada nos vinhos de entrada e intermediários&period; O público que realmente consome rótulos premium e de maior valor agregado ainda é pequeno&period; Isso faz com que muitos restaurantes apostem em cartas mais comerciais e&comma; infelizmente&comma; nem sempre consigam investir em equipes altamente qualificadas&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Lembro que&comma; quando desenvolvi meu projeto de lojas próprias dentro de restaurantes&comma; o store in restaurant&comma; a ideia era justamente facilitar a vida de donos de estabelecimentos que não entendiam de vinho ou não queriam imobilizar capital em estoque&period; Recordo que o pedido inicial mais simples de um cliente&comma; antes de migrar para o nosso formato&comma; girava em torno de R&dollar; 100 mil&period; E não estou falando de grandes raridades&comma; mas de uma adega básica&comma; que levaria cerca de três meses para girar&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>É disso que muita gente esquece quando questiona a taxa de rolha&colon; uma adega representa milhares de reais parados em estoque&period; Some a isso equipe treinada&comma; baldes de gelo&comma; serviço&comma; estrutura&comma; taças adequadas &lpar;e suas constantes reposições&comma; porque quebram muito mais do que se imagina&rpar;&period; Em restaurantes estrelados ou com cartas mais sofisticadas&comma; esse investimento facilmente quintuplica&period; E vale lembrar que&comma; no Brasil&comma; garçons&comma; sommeliers e maîtres ainda são profissionais pouco valorizados&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Ir a um restaurante&comma; ser recebido com atenção&comma; ter seu vinho aberto corretamente&comma; servido na temperatura ideal&comma; nas taças adequadas&comma; e não querer pagar nada por esse serviço me parece&comma; no mínimo&comma; incoerente&period; Se você escolhesse um vinho da carta&comma; o restaurante teria lucro sobre aquela garrafa&period; Mas você decidiu levar a sua&period; Nada mais justo do que a casa cobrar pelo serviço prestado e pela oportunidade de venda perdida&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>E aqui entra um ponto importante&colon; se fosse com comida&comma; as pessoas aceitariam da mesma forma&quest; Quantos clientes levariam um prato pronto de casa para consumir no restaurante sem achar estranho&quest; Então por que é tão difícil valorizar o trabalho de curadoria de uma carta de vinhos&quest; Existe estudo&comma; investimento e profissionalização por trás disso&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Sempre fui defensora do bom senso&period; Quando fui proprietária de uma loja especializada que também servia vinhos&comma; eu costumava flexibilizar a taxa em algumas situações&period; Se o cliente levasse um vinho e também consumisse um rótulo da casa&comma; eu liberava a rolha&period; Quando aparecia com um vinho ícone&comma; raro&comma; daqueles que é um prazer servir&comma; muitas vezes eu também não cobrava&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Agora&comma; quando a pessoa trazia um rótulo comum&comma; semelhante aos disponíveis na minha carta&comma; utilizava toda a estrutura da casa e ainda esperava gratuidade&comma; aí sim eu cobrava a taxa&comma; que nunca foi abusiva&period; Eram R&dollar; 50&comma; equivalente ao vinho mais barato disponível no local&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Acredito muito naquela velha ideia de que a liberdade de um termina quando começa a do outro&period; Se o restaurante oferece variedade&comma; bons rótulos e opções equivalentes ao vinho que você levou&comma; por que não prestigiar a casa&quest; E&comma; se ainda assim fizer questão de abrir a sua garrafa&comma; tudo bem&comma; desde que exista uma compensação justa pelo serviço e pela estrutura disponibilizada&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>Claro&colon; a taxa de rolha também precisa ter limite&period; Nada justifica cobranças abusivas ou superiores ao valor médio dos vinhos da própria carta&period; O equilíbrio é fundamental&period;<&sol;p>&NewLine;&NewLine;&NewLine;&NewLine;<p>No fim das contas&comma; o serviço de restaurante não é um jogo de disputa entre cliente e estabelecimento&period; É uma relação que precisa funcionar de forma clara e saudável para ambos os lados&period; O famoso &OpenCurlyDoubleQuote;win-win” continua sendo a melhor lógica em qualquer prestação de serviço&period; E empatia&comma; convenhamos&comma; nunca fez mal a ninguém&period;<&sol;p>&NewLine;

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