<p>Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose (7 de maio), especialistas fazem um alerta: a doença continua sendo silenciosa em milhares de mulheres e, muitas vezes, só é descoberta após anos de tentativas frustradas de engravidar ou durante investigação de infertilidade. Considerada uma condição crônica e inflamatória, a endometriose afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).</p>



<p>Embora os sintomas clássicos incluam cólicas intensas, dor pélvica, dor durante as relações sexuais e alterações intestinais, especialistas alertam que nem todas as pacientes apresentam sinais evidentes da doença. Em alguns casos, a endometriose evolui de forma silenciosa.</p>



<p>Foi o que aconteceu com a professora Denise Gonçalves Dias. Ela descobriu a doença aos 35 anos, durante o processo de investigação para engravidar. “O diagnóstico para mim foi uma surpresa. Até então eu desconhecia. Não sentia sintomas fortes e descobri pelo fato de querer engravidar”, relata.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Investigação tardia</h2>



<p>A paciente afirma que decidiu mudar completamente os hábitos de vida após a confirmação do diagnóstico. “Fiz tratamento natural com suplementos e uma mudança radical de estilo de vida. Optei pela cirurgia robótica por ser uma técnica nova e avançada, com resultados satisfatórios principalmente ao que eu desejava. A cirurgia foi tranquila”, conta.</p>



<p>De acordo com o cirurgião Marcos Travessa, coordenador do Núcleo de Ginecologia do<a href="https://ibcr.com.br/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR)</a>, um dos principais desafios ainda é o atraso no diagnóstico. “Muitas mulheres passam anos convivendo com dores incapacitantes acreditando que isso é normal. Em outros casos, a doença praticamente não apresenta sintomas e só é descoberta na investigação da infertilidade. Isso reforça a importância do acompanhamento ginecológico regular e da escuta atenta às queixas femininas”, afirma.</p>



<p>Segundo o especialista, a endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o útero — cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outros órgãos da pelve.</p>



<p>“Trata-se de uma doença inflamatória que pode comprometer qualidade de vida, fertilidade, saúde emocional e relações sociais. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de controle adequado e preservação da fertilidade”, acrescenta Travessa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cirurgia robótica</strong></h2>



<p>A médica ginecologista Gabrielli Tigre, também do IBCR, destaca que a cirurgia robótica tem ampliado as possibilidades de tratamento em casos mais complexos da doença. “A cirurgia robótica permite movimentos mais precisos, visão ampliada e maior delicadeza na retirada dos focos de endometriose, especialmente em regiões profundas e de difícil acesso. Isso contribui para recuperação mais rápida, menos dor pós-operatória e melhores resultados funcionais”, explica.</p>



<p>Ela ressalta que a escolha do tratamento depende do estágio da doença, dos sintomas e dos objetivos da paciente. “Cada mulher deve ser avaliada de forma individualizada. Nem toda endometriose exige cirurgia, mas os casos avançados frequentemente precisam de abordagem especializada”, pontua.</p>



<p>Especialistas reforçam que sintomas menstruais incapacitantes não devem ser normalizados. Dor intensa, dificuldade para engravidar, desconforto nas relações sexuais e alterações intestinais cíclicas estão entre os principais sinais de alerta. “A mulher não precisa aceitar a dor como algo natural. Sofrimento intenso durante o período menstrual merece investigação”, conclui Marcos Travessa.</p>

Endometriose silenciosa pode comprometer fertilidade

Foto | Divulgação
