O sobrepeso está diretamente associado ao aumento da pressão sobre as articulações, especialmente os joelhos, podendo acelerar o desgaste da cartilagem e favorecer o surgimento de dores crônicas e limitações de mobilidade. De acordo com o ortopedista Dr. Luís Cláudio Chagas, a cada 5 kg acima do peso corporal, o impacto sobre o joelho pode aumentar entre 15 e 20 kg durante atividades simples do dia a dia, como caminhar.
O alerta acompanha um cenário cada vez mais presente no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais da metade da população brasileira está acima do peso, e cerca de 1 em cada 4 adultos vive com obesidade, condição que está diretamente associada ao aumento de doenças crônicas e problemas musculoesqueléticos.
Na prática clínica, o médico observa que muitos pacientes chegam ao consultório com dores recorrentes sem associar o quadro ao peso corporal e ao estilo de vida. Segundo ele, além da sobrecarga mecânica nas articulações, o excesso de peso também está relacionado a processos inflamatórios que interferem na saúde do organismo e dificultam a recuperação.
“Não é apenas uma questão de peso sobre a articulação. Existe também um ambiente inflamatório que contribui para a dor e para a evolução do quadro. Quando a gente não olha para isso, o tratamento acaba sendo limitado.” — Dr. Luís Cláudio Chagas
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo condições que afetam diretamente a mobilidade, como a osteoartrite. Esse cenário tem levado especialistas a defenderem abordagens mais integradas no cuidado com o paciente, conectando fatores estruturais, metabólicos e hábitos de vida.
“Muitas pessoas tratam o joelho, mas não tratam o que está causando a sobrecarga. Quando o peso corporal não entra na estratégia de cuidado, a dor tende a voltar ou até piorar com o tempo.” — Dr. Luís Cláudio Chagas
Para o especialista, o caminho está em ampliar a forma de olhar para o corpo.
“A ideia não é só aliviar a dor, mas evitar que ela volte. E isso passa por entender o paciente como um todo, desde a estrutura corporal até o metabolismo e o estilo de vida.” — Dr. Luís Cláudio Chagas