Estudantes de Medicina da Bahia foram destaques na 1ª Missão Araguaia, realizada pela Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil. Os futuros médicos da Universidade Salvador (UNIFACS), da Faculdade Ages e do Centro Universitário UniFG-BA prestaram atendimento em saúde a comunidades isoladas, assumindo papel central na organização, na execução dos atendimentos e na interação direta com a população local.
A ação deu continuidade ao projeto Travessias Humanitárias e teve como objetivo levar cuidado em saúde e qualidade de vida a moradores de regiões remotas, percorrendo as comunidades de Santa Clara, São Pedro e Campinas, no município de Campinápolis, em Mato Grosso.

A expedição ocorreu em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMG), inserida em uma ação de saúde. Em seguida, a equipe se deslocou até as comunidades para realizar atendimentos em ginecologia e obstetrícia, infectologia e clínica geral, com apoio das prefeituras na montagem da estrutura em espaços como escolas, UBSs, praças e igrejas.
As missões fazem parte da metodologia de ensino da Inspirali e seguem a política do SUS, oferecendo atenção primária à saúde. Ao mesmo tempo, analisam as condições de vida da população local, identificando riscos, vulnerabilidades e potencialidades, para que seja possível intervir de forma mais assertiva e contínua nas necessidades de saúde da região.
Protagonismo estudantil
Segundo a estudante de Medicina da UNIFACS, Giulliane Araújo, a 1ª Missão Araguaia chegou ao fim, mas deixou como legado um profundo sentimento de gratidão. “Saio dessa experiência transformada. Levo comigo não apenas aprendizados técnicos mais refinados, mas, acima de tudo, uma compreensão muito mais profunda sobre empatia, humanidade e o verdadeiro significado do cuidado na medicina. Em um cenário em que a barreira linguística muitas vezes se mostrou um impeditivo nas comunidades xavantes do Mato Grosso, aprendi que é preciso silenciar o mundo ao redor e estar inteira de corpo, mente e coração diante de cada paciente”, declara.
O mesmo sentimento é compartilhado por Amanda Cardoso, estudante de Medicina da Ages Jacobina, cuja experiência na Missão Araguaia marcou profundamente sua formação, ampliando não apenas seus conhecimentos técnicos, mas também sua visão sobre a prática médica em contextos de vulnerabilidade. “Mais do que uma vivência prática, foi um encontro intenso com realidades que desafiam não apenas o conhecimento técnico, mas também a capacidade de adaptação, escuta e sensibilidade. Atuar em um contexto de vulnerabilidade social, com limitações estruturais e barreiras culturais e linguísticas, exigiu uma medicina mais atenta ao indivíduo em sua totalidade”, afirma.
A estudante também destacou que o contato com o povo Xavante ampliou sua visão sobre saúde, evidenciando diferentes formas de cuidado, saberes tradicionais e a importância da construção de vínculos. “A Missão Araguaia reafirmou a minha escolha pela medicina e fortaleceu meu desejo de contribuir para um cuidado mais acessível, humano e transformador”, conclui.
Povos originários
Campinápolis está localizada a 566 km da capital de Mato Grosso e abriga aproximadamente 10 mil indígenas, sendo uma das regiões com maior número de comunidades no estado. O diretor da Travessia Humanitária, Rodrigo Dias Nunes, relatou que a cidade figurava entre as que mais necessitavam de apoio, de acordo com uma lista do Ministério do Desenvolvimento Social.
“O acesso da população a cuidados em saúde é muito restrito, devido à distância e às dificuldades de locomoção. Nosso objetivo foi atender à população local, impactando diretamente a vida desses pacientes, e também de nossos alunos, que foram estimulados a atuar em uma realidade totalmente diferente daquela vivenciada em sala de aula”, conta.




















