Um levantamento inédito sobre casos de LGBTfobia na Bahia está mobilizando a população e acendendo um alerta sobre a violência enfrentada pela comunidade LGBTQIAPN+ no estado. A iniciativa é do site Dois Terços, que abriu um formulário online para reunir relatos anônimos até o dia 30 de abril.
A proposta é traçar um panorama mais fiel das diferentes formas de discriminação e violência, muitas vezes invisibilizadas, que atingem essa população. Os dados coletados serão divulgados na semana que antecede o Dia Internacional contra a Homofobia, reforçando a importância da discussão em nível local.
Conforme os organizadores, a motivação para o levantamento é que mesmo com avanços na legislação brasileira, especialistas e ativistas apontam que a LGBTfobia ainda ocorre de forma recorrente, inclusive nas grandes cidades. Casos de agressões físicas, violência verbal e exclusão social continuam sendo registrados, o que evidencia a necessidade de ações mais efetivas.
As informações obtidas serão compartilhadas com lideranças da comunidade e órgãos de segurança pública, com o objetivo de fortalecer estratégias de proteção e ampliar o alcance de políticas públicas.
Outro foco da pesquisa é medir o nível de conhecimento da população sobre leis que garantem direitos à comunidade LGBTQIAPN+, como a Lei Municipal Teu Nascimento e a Lei Estadual Milena Passos. A intenção é entender se essas normas estão, de fato, chegando a quem precisa.
Para o ativista Genilson Coutinho, a iniciativa representa um passo importante na luta contra a discriminação. “Esta é uma pesquisa relevante e, a partir dela, teremos uma referência sobre a homofobia na Bahia”, destacou.
Dados do Grupo Gay da Bahia reforçam a preocupação: a violência contra pessoas LGBTQIAPN+ segue sendo uma realidade no país, com registros frequentes de agressões e mortes. A participação no levantamento é anônima e aberta a qualquer pessoa que já tenha vivenciado ou presenciado situações de LGBTfobia.